O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que foi surpreendido pelas propostas do governo dos Estados Unidos de ampliar tarifas sobre produtos brasileiros. Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula disse que não recebeu comunicação oficial sobre as medidas e anunciou que pretende enviar uma nova carta ao presidente norte-americano, Donald Trump, para contestar a decisão.
Segundo Lula, as negociações comerciais entre os dois países ainda estavam em andamento quando surgiram os anúncios sobre novas taxações, publicou o G1. O presidente relatou que, durante um encontro recente com Trump, sugeriu um prazo de 30 dias para que representantes dos dois governos buscassem entendimento sobre divergências comerciais.
De acordo com o petista, esse período ainda não foi encerrado, o que teria tornado inesperadas as novas iniciativas adotadas pelos Estados Unidos. Lula afirmou que acreditava estar sendo construída uma relação mais cooperativa e equilibrada entre os dois países.
Durante o discurso, o presidente também voltou a criticar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e destacou que entregou pessoalmente ao governo dos Estados Unidos documentos sobre temas considerados estratégicos para a relação bilateral, incluindo o combate ao crime organizado, a exploração de terras raras e a situação geopolítica envolvendo o Irã.
A tensão comercial aumentou após uma investigação de um órgão norte-americano apontar que 60 países, entre eles o Brasil, não teriam adotado medidas suficientes para impedir a entrada de produtos associados ao trabalho forçado. Como consequência, foi sugerida uma tarifa adicional de 12,5% sobre mercadorias desses países.
A proposta se soma a outra divulgada anteriormente pelos Estados Unidos, que prevê uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros sob a alegação de que determinadas políticas adotadas pelo Brasil dificultam ou encarecem o comércio com empresas norte-americanas. Caso ambas sejam implementadas, a sobretaxa poderá alcançar 37,5%.
Lula também criticou brasileiros que, segundo ele, estariam incentivando medidas econômicas contra o país por interesses políticos. Sem citar nomes, afirmou que esse tipo de atitude prejudica a população e classificou a postura como uma afronta aos interesses nacionais.
Ao encerrar a fala, o presidente defendeu a redução dos conflitos internacionais e reafirmou a intenção de dialogar diretamente com Trump. Lula disse que continuará buscando espaços para apresentar a posição brasileira tanto à imprensa dos Estados Unidos quanto à comunidade internacional, com o objetivo de reverter as medidas e evitar o agravamento das tensões comerciais entre os dois países.
*Com informações do G1.
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(Revisão: Nichole Munaro)






