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‘Red flag’: feminicídio em MS inspira site que verifica histórico de violência de parceiros

Com o nome completo e telefone, site disponibiliza antecedentes criminais e histórico de violência de homens
Lethycia Anjos -
Imagem ilustrativa (Reprodução, MDHC)


Diante da crescente onda de violência contra a mulher no país, o feminicídio da jornalista sul-mato-grossense Vanessa Ricarte serviu de inspiração para a criação de uma ferramenta inédita no Brasil. Movida pela indignação com o caso, a empresária Sabrine Matos, 28, desenvolveu a Plinq, uma plataforma que permite consultar antecedentes criminais e histórico de violência de homens, utilizando apenas o nome completo e o número de telefone.

Em 2025, 17.673 mulheres foram vítimas de violência doméstica em Mato Grosso do Sul, conforme dados da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública). A maioria dos casos teve como agressores o cônjuge (2.823 registros) e companheiros conviventes (1.217). Além de Vanessa, outras 31 mulheres foram assassinadas em crimes de feminicídio, e 1.627 mulheres denunciaram casos de estupro no Estado. No caso específico de Vanessa, o agressor possuía uma extensa ficha criminal, que incluía casos de violência doméstica.

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Sabrine conta que a ideia surgiu após a repercussão do caso, que segundo ela, poderia ter sido evitado se Vanessa tivesse acesso ao histórico criminal do feminicida.

“Vi a Vanessa em mim. Uma mulher jovem, inteligente, amada, e que teve a vida ceifada por um homem que tinha uma extensa ficha criminal. Se ela soubesse, com certeza não teria se relacionado, aquilo foi muito crucial para que eu pensasse: ‘por que ela não tinha acesso a essa informação?’ Assim, surgiu a ideia da Plinc”, disse em entrevista ao Midiamax.

Criada em Curitiba, a ferramenta busca oferecer mais segurança e transparência nas relações pessoais e profissionais. “A Plinq oferece uma verificação completa para que você conheça a verdadeira história de quem está entrando na sua vida. Seja em relacionamentos, amizades ou conexões profissionais”, destaca a descrição oficial do site.

Em menos de dois meses após o lançamento, a ferramenta ultrapassou 15 mil usuárias e viralizou nas redes sociais. A projeção é que resulte em uma receita de R$ 2,2 milhões. Para isso, o site cobra uma taxa anual de R$ 97,00, cerca de R$ 8,08 por mês.

Como funciona?

A Plinq realiza buscas automatizadas a partir de informações fornecidas pelo usuário e gera um relatório com dados públicos e uma avaliação de risco.

  • Inserção dos dados – informe o nome completo, telefone e data de nascimento da pessoa que deseja verificar.
  • Varredura completa de dados – varredura completa e extensa para extrair todos os dados disponíveis sobre essa pessoa.
  • Análise de risco com IA – relatório completo com antecedentes criminais, processos judiciais e uma avaliação de risco gerada por uma IA treinada, com recomendações ou alertas (quando aplicáveis).
  • Anônimo e sigiloso – consulta confidencial; a pessoa consultada não saberá que você realizou a pesquisa. Seus dados e suas buscas estão protegidos (e salvos na sua conta, para você consultar sempre que quiser).

‘Red flag’ e green flag

A plataforma também adota uma linguagem popular entre os jovens, para facilitar a compreensão das análises geradas. As classificações de risco estão divididas entre “red flag” (bandeira vermelha) e “green flag” (bandeira verde).

O termo “red flag” ganhou destaque no Twitter e no TikTok. A expressão significa “bandeira vermelha” e é usada como alerta para comportamentos abusivos, controladores ou potencialmente perigosos em relacionamentos e interações sociais.

Na plataforma, uma avaliação marcada como red flag vem acompanhada de uma orientação de segurança à usuária:

“Com base na análise dos processos judiciais relacionados a [nome do homem], tivemos acesso a múltiplas informações que indicam a existência de processos em segredo de justiça. Essas circunstâncias dificultam determinar se ele é vítima, acusado, advogado ou outra parte, o que torna essencial uma conversa franca e uma avaliação cuidadosa antes de qualquer encontro. Recomendo, com toda atenção, que prossiga com cautela e busque conhecer melhor a pessoa, sempre priorizando a sua segurança.”

Já quando a classificação é green flag (bandeira verde), em que não foram encontrados indícios preocupantes, ainda assim, a plataforma também reforça a importância de manter o cuidado:

“A ausência de registros públicos não garante que a pessoa não tenha passado por situações que não estejam registradas […]. Uma conversa franca pode ajudar a criar um ambiente de confiança e segurança para ambos.”

Sabrine explica que o principal desafio foi a análise e tratamento dos dados paras que ficassem acessíveis às consumidoras.

“Muitos dados do governo vem de forma bruta, então tivemos que montar uma estrutura de cruzamento de dados para ‘limpar’ e deixar ele acessível para a consumidora final”.

É ilegal?

Por operar exclusivamente com dados públicos, obtidos em tribunais de Justiça e registros oficiais, a Plinc atua dentro dos limites da lei, pois somente reúne e organiza essas informações de forma acessível ao público.

Ainda assim, há o risco de que pessoas expostas na plataforma tentem acionar a Justiça, mesmo que os dados utilizados estejam em domínio público. Por isso, a startup mantém acompanhamento jurídico constante e monitora de perto possíveis alterações na legislação, especialmente no que diz respeito à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

“Nossa preocupação com isso é muito grande, porque o nosso caráter não é vexatório. Por isso a nossa pesquisa fica privada apenas para a pessoa que pesquisou. Não liberamos dados desnecessários (como processos não criminais), tratamos dados sensíveis (como CPF e nome da mãe) de forma parcial apenas para tratamento de homônimo. Assim conseguimos equilibrar os dois direito”, esclarece a criadora.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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