Nesta sexta-feira (20), a equipe de Educação Ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) realizou visitas a pontos de comercialização de artesanato e hotéis em Campo Grande. Na ocasião, a ação tinha como objetivo orientar e conscientizar comerciantes sobre a venda ilegal de produtos que utilizam partes de animais silvestres.
O tráfico de fauna, que envolve espécies nativas e migratórias, é considerado crime ambiental e figura entre os maiores do mundo. Conforme o Ibama, a prática ameaça a sobrevivência de espécies, compromete o equilíbrio dos ecossistemas e impacta cadeias alimentares e processos evolutivos. Além disso, durante o transporte ilegal, estima-se que apenas 10% dos animais sobrevivam, enquanto os demais morrem sem qualquer protocolo de biossegurança.
Em Mato Grosso do Sul, o enfrentamento ao tráfico de animais silvestres ainda é um desafio. Operações de fiscalização frequentemente resultam na apreensão de aves, répteis e mamíferos comercializados ilegalmente. Isso porque o uso de partes de animais em acessórios e objetos decorativos como brincos, colares e itens artesanais ainda é recorrente, muitas vezes por falta de informação.
Diálogo com a COP15
A iniciativa ainda dialoga com os temas da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP-15, que reúne 133 países signatários. O encontro visa avaliar o estado de conservação dessas espécies, definir prioridades e a adotar medidas conjuntas para proteção da biodiversidade global. Entre as ações estratégicas está o combate ao tráfico ilegal, especialmente relevante no caso de espécies migratórias, cujos impactos ultrapassam fronteiras.
A ação foi planejada considerando o aumento da circulação de pessoas durante a COP-15, que será realizada entre os dias 23 e 29 de março na capital. A campanha busca orientar comerciantes, turistas e a população em
geral sobre os impactos do tráfico de fauna, além de incentivar alternativas sustentáveis, como o artesanato que não utiliza matéria-prima de origem animal.
De acordo com o Ibama, a iniciativa combina estratégias educativas e preventivas com o reforço da fiscalização. A expectativa é que o evento internacional contribua não apenas para o avanço das discussões globais sobre conservação, mas também para a promoção de práticas sustentáveis e maior conscientização em nível local.
Legislação brasileira
A legislação brasileira proíbe a comercialização desses produtos sem autorização. O artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais tipifica como crime vender, expor, adquirir, transportar ou utilizar espécimes da fauna silvestre,
bem como produtos e objetos derivados. A exceção ocorre no uso por povos indígenas, quando vinculado a práticas tradicionais, culturais, espirituais ou de subsistência, sem fins comerciais.
Segundo o Ibama, a comercialização desses materiais, seja por desconhecimento ou má-fé, contribui diretamente para a manutenção da cadeia ilegal e para a morte de animais. Assim, a educação ambiental é apontada como ferramenta essencial para prevenir infrações e reduzir a demanda por esses produtos.
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