Para o vendedor Lucas Pedra Brum, de 34 anos, Corpus Christi é a celebração de um dos maiores mistérios da fé católica. Em meio à multidão reunida na Praça do Rádio Clube, na tarde desta quinta-feira (4), ele definiu a data como um momento de renovação espiritual e de encontro com aquilo que considera essencial para alimentar a própria fé.
“Jesus se revela para a gente no milagre da Eucaristia. Toda vez que eu leio essa passagem, ela me toca demais. Eu choro, porque é um milagre. É o que eu precisava para alimentar a minha fé”, relatou.
O sentimento compartilhado por Lucas se repetiu entre milhares de pessoas que participaram da Missa de Corpus Christi, celebrada pelo arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa. A celebração reuniu fiéis de todas as paróquias e comunidades da Capital, além de cidades vizinhas que integram a Arquidiocese.
Entre eles estava Marley Ferreira Guimarães, de 66 anos. Para ela, a força da celebração está justamente na fé coletiva demonstrada pelos participantes. Ao observar a praça tomada por católicos, ela enxergou na multidão uma expressão viva da presença de Deus.
“Estamos aqui com fé, porque Ele realmente faz milagres e está vivo. Ver toda essa multidão de pessoas nessa celebração é motivo de gratidão. É Deus, é o Espírito Santo acontecendo agora”, afirmou.
Já para o jovem Alex Matheus, de 24 anos, a edição deste ano teve um significado especial. Depois de não conseguir permanecer na missa no ano passado, ele participou pela primeira vez de toda a programação e ficou impressionado com a quantidade de pessoas presentes.
“É muito lindo ver tanta gente aqui. Parece que este ano está muito mais cheio. Eu me apaixono por isso, por ver tantas pessoas procurando estar perto de Deus”, disse.
Alex também destacou o trabalho coletivo realizado durante a madrugada para confeccionar os tradicionais tapetes que enfeitaram o trajeto da procissão. Segundo ele, a dedicação dos voluntários demonstra o carinho e a fé investidos na celebração.
“É muito lindo ver todas as paróquias e comunidades juntas. Os tapetes foram feitos com muito amor, muita fé. Tem gente trabalhando desde quatro, cinco horas da manhã para deixar tudo pronto”, contou.
Após a missa, os fiéis seguiram em procissão por cerca de três quilômetros de tapetes confeccionados ao longo da manhã. O percurso passou pela Avenida Afonso Pena, Rua 13 de Maio e Avenida Fernando Corrêa da Costa. Ao final, Dom Dimas concede a bênção final aos participantes. A programação será encerrada com apresentação do cantor católico Tiago Brado.



“Eucaristia gera comunhão”
Durante a celebração, Dom Dimas destacou que a Igreja acompanha os avanços tecnológicos, mas lembrou que nenhuma ferramenta substitui os laços humanos e espirituais construídos pela fé.
“A inteligência artificial, assim como a internet e a ciência, são oportunidades para que a humanidade seja melhor. No entanto, precisamos resistir a uma lógica que fala apenas de eficiência e produtividade e se esquece do coração”, afirmou.
Ao refletir sobre a solenidade de Corpus Christi, o arcebispo ressaltou que “enquanto a internet e a inteligência artificial conectam as pessoas, a Eucaristia gera comunhão”.
Dom Dimas também recordou que a fé cristã está fundamentada no amor de Deus pela humanidade e pediu que os ensinamentos vividos na celebração sejam levados para a vida familiar, comunitária e social.
A Arquidiocese estimou a presença de cerca de 30 mil pessoas na celebração realizada na Praça do Rádio Clube.



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