Separando o joio do trigo, a centenária Santa Casa, hospital de referência de Mato Grosso do Sul, é responsável por salvar vidas diariamente. Em meio ao caos que envolve desde a crise financeira até mortes questionadas por familiares, o hospital atende mais de 25 mil pessoas anualmente.
Fundada em 1917, a Santa Casa é um hospital filantrópico que recebe repasses públicos e possui área privada. Ao longo dos 109 anos, a Santa Casa chegou a atender mais de 100 mil pessoas em um ano. Entre os serviços prestados à população, está o transplante de órgãos.
Entre idas e vindas, o transplante renal já foi paralisado pelo menos duas vezes na instituição. Contudo, nos momentos em que atende à fila de espera pela cirurgia, o hospital muda vidas.
O caso de Antônio Vieira mostra que as especialidades da instituição dão novo sentido aos pacientes sul-mato-grossenses. Há pouco mais de quatro anos, o idoso celebrava o pedido que fez nos aniversários anteriores: um rim novo.
Em 21 de julho de 2022, Antônio recebeu o transplante renal na Santa Casa de Campo Grande. A cirurgia mudou a rotina de viagens do interior ao hospital para sessões de hemodiálise e restrições impostas pela doença.

Impacto desde os primeiros dias…
Um bebê de 15 dias também foi beneficiado pelas especialidades do hospital. A presidente da Santa Casa, Alir Terra, contou o caso recente que despertou sentimentos e fez história na instituição.
“Um dia, nós fizemos uma cirurgia num bebê de 15 dias para ele não perder a vista. É uma cirurgia inédita. E os médicos, os oftalmologistas, salvaram a vida de um bebê de 15 dias”, disse ao Midiamax.
Além disso, lembrou outro caso em que um paciente que não conseguia falar teve atendimento de bucomaxilo. “Fizeram a cirurgia nele, ele voltou a se expressar, falar com facilidade, se alimentar”, comemorou.


‘Não explode’, diz presidente
Ao longo desta série, o Midiamax mostrou os diversos fatores que compõem o cenário da Santa Casa. As brigas judiciais por recursos, a paralisação de funcionários e as famílias que amargaram mortes ganham peso maior aos olhos do público, acredita a diretora.
“Não saiu em todos os jornais, isso não explodiu na mídia. Isso não explode”, disse, sobre as notícias de casos bem-sucedidos. “Infelizmente, acontece isso.”
Ditado popular, “fazer o bem sem olhar a quem” mostra que a ajuda ao próximo não se cobra recompensa. “Nós temos a consciência tranquila e vamos continuar trabalhando com humanidade, com amor, cuidando da formação desses nossos médicos recém-formados que passam na residência aqui, dando o melhor para eles, porque nós poderemos, no futuro, ser um paciente desses”, disse Alir.

Mais que um hospital
Na luta para reaver o curso de Medicina na instituição, a Santa Casa forma profissionais por meio de residências e pós-graduações. “A Santa Casa é além do hospital”, garante Alir.
Para a presidente, a boa prática do hospital está diretamente associada ao ensino. “Aí é que a Santa Casa entra e que muitas vezes as pessoas não falam. Nós hoje temos a residência médica.”
“Então, pra minha visão, essa é uma das maiores práticas que a Santa Casa pratica”, disse Alir Terra.
A Santa Casa oferece 18 residências médicas, sendo que, em 36 anos, formou 1.055 médicos residentes. “Hoje, nós temos nas nossas residências 127 médicos que estão fazendo residência. Então isso precisa ser evidenciado, porque não é só atender o paciente e colocar um médico. Você tem que ter um médico com formação”, destacou a presidente.
O hospital forma e oferece diversas especialidades; apenas nas cirurgias, há geral, plástica e vascular. Além disso, Alir citou clínica médica, ginecologia e obstetrícia, medicina de emergência, medicina intensiva, multiprofissional em urgência e emergência, nefrologia, neonatologia, neurocirurgia, oftalmologia, oncologia clínica pediátrica, cirurgia e traumatologia, além de odontologia e urologia.
“Então, a Santa Casa precisa ser vista como um centro de ensino, e é esta a maior importância que ela tem para o paciente, porque o paciente vai ser acolhido por esses profissionais que não estão só habilitados com o CRM; eles estão habilitados e pós-graduados.”



Ala vermelha: no limite da emergência
O Jornal Midiamax publica neste mês uma série de reportagens especiais sobre a Santa Casa, aprofundando-se nas problemáticas que compõem o hospital de referência em Mato Grosso do Sul.
Com casos de alta e média complexidade, a instituição cura e salva vidas. Porém, no meio do caminho, a rotina do hospital também pode adoecer quem presta o atendimento. Camadas de dor — dos profissionais, dos pacientes e das famílias dos que já partiram dentro do hospital — se entrelaçam, formando parte da característica de ser uma instituição de alta complexidade.
Confira as reportagens já publicadas:
- Esperança de salvação, Santa Casa de Campo Grande vira símbolo de espera e desamparo
- Desafio duplo, humanização cobrada por familiares aumenta pressão de quem atende na Santa Casa
- Santa Casa cobra recursos na Justiça, mas é ré em 70% dos ações em que é citada
- ‘Moedor de gente’: funcionários expõem sobrecarga, adoecimento e assédio na Santa Casa
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(Revisão: Nichole Munaro)






