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Dourados registra duas novas mortes por chikungunya e MS concentra 60% dos óbitos do país

Novas vítimas eram idosos com comorbidades
Gustavo Henn -
Mosquito transmissor da chikungunya. (Reprodução, Pixabay)

Duas novas mortes por chikungunya foram confirmadas no município de nesta sexta-feira (3). Conforme o boletim epidemiológico da prefeitura da cidade, as vítimas são uma idosa de 74 anos e um idoso de 71, ambos com comorbidades. Com isso, Mato Grosso do Sul concentra 61% dos óbitos pela doença em todo o Brasil, com 26 mortes.

Segundo o COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), a idosa de 74 anos tinha comorbidades, como doença renal crônica e hipertensão arterial, e morreu no dia 18 de maio. Já o idoso de 71 anos veio a óbito no dia seguinte e tinha diabetes como comorbidade.

Além disso, há ainda um óbito em investigação de um homem indígena de 43 anos, sem registro de comorbidades. Também estão internadas 13 pessoas, sendo 11 no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) e duas no Hospital Cassems.

MS supera mortes dos últimos 10 anos

No período entre 2016 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 24 mortes e 21.282 casos prováveis de chikungunya. Apesar de apresentar pouco mais da metade dos casos prováveis em 2026, somente neste ano o número de mortes é maior que o dos últimos dez, com 26 óbitos.

Em todo o Brasil, são 57.198 casos prováveis, com 42 mortes e outras 32 em investigação. Isso significa que cerca de 22% dos casos prováveis ocorrem em MS, assim como 61% das mortes.

Dourados chega a 17 mortes, mais da metade do Estado

Epicentro da epidemia de chikungunya, Dourados registra agora 17 mortes pela doença em 2026. O município, sozinho, concentra 40% das mortes no Brasil e 65% das confirmadas no Estado.

Segundo o novo boletim, são 5.294 casos prováveis, com 4.822 confirmados e 472 em investigação, além de 4.682 descartados. Na Reserva Indígena do município, são 3.166 casos notificados, 2.356 casos prováveis, 2.185 casos confirmados, 810 casos descartados e 171 casos em investigação.

Ainda, das 17 mortes, 11 foram de pessoas indígenas. As vítimas incluem três bebês — com 48 dias, um mês e três meses de idade —, uma criança de 12 anos e 11 adultos com idades entre 19 e 82 anos, a maioria idosos.

Apesar de as notificações terem diminuído o ritmo nos últimos dias, a taxa de positividade segue alta. Em média, a cada duas pessoas que realizam o teste de chikungunya, uma recebe resultado positivo.

Cidade segue em situação de emergência

A cidade de Dourados segue em situação de emergência pública. No último dia 17, foi publicada decisão no Diário Oficial que prorrogou o decreto por mais três meses. A taxa de positividade, segundo a Prefeitura de Dourados, foi justamente o que motivou a prorrogação da emergência. Ainda, foi levado em consideração que há casos com fases subagudas e crônicas da doença.

Segundo o Ministério da Saúde, mais da metade dos pacientes com chikungunya têm sequelas por anos e demandam atendimento no longo prazo. Para especialistas, o sistema de saúde precisa mudar o foco da resposta epidemiológica para a assistência a esses pacientes.

“A prorrogação é necessária considerando a necessidade de manutenção da mobilização atual das ações que estão sendo executadas, bem como dos atendimentos realizados pelos profissionais contratados emergencialmente”, enfatiza o Decreto 779, publicado no dia 17.

O que é a chikungunya

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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