Os pais e responsáveis por menores de idade em Campo Grande acreditam que a educação e o monitoramento constante são o caminho para afastar as crianças dos perigos da internet.
O Jornal Midiamax foi às ruas da Capital nesta sexta-feira (24) para ouvir a população após a morte de duas crianças no interior de Mato Grosso do Sul. Na terça-feira (21), um menino de oito anos morreu após supostamente participar de um desafio na internet. No dia seguinte, uma adolescente foi encontrada morta em Naviraí pela mesma suspeita. Os casos ainda são investigados pela polícia.
A cuidadora Elsa Nunes, de 62 anos, foi mãe há muitos anos e hoje é avó de 7 netos e bisavó de 4 bisnetos. Ela conta que se preocupa com a evolução da tecnologia e orienta as crianças da família sobre o perigo.
“Eu oriento muito as crianças da minha família, porque o mundo hoje tá muito perigoso. Até a minha bisneta que mora comigo, dou muita orientação para ela sobre tudo, não só sobre esse negócio de internet, [mas] na escola, nos lugares onde ela anda, [para] não conversar com ninguém, não conversar com estranho, não aceitar nada de ninguém”, afirma.
Elsa diz que sua bisneta de seis anos até utiliza o celular, mas tem o monitoramento da mãe, que controla o aparelho de longe. “Ela colocou um ‘programinha’ infantil e monitora tudo de longe, então ela vê onde tá mexendo, tem horário pra entrar e horário que o aplicativo fecha sozinho […] Não dá pra confiar mais em ninguém, ainda mais agora com a [inteligência] artificial, porque eles pegam até a sua voz e sua imagem”, completa.

Educação ‘vem de casa’
Já a advogada Tânia Araújo, de 53 anos, argumenta que a educação é o melhor caminho para proteger os menores dos riscos de desafios e dos outros problemas da internet.
“Eu acredito que a educação começa dentro de casa. Sou estudante de Psicologia, resolvi fazer Psicologia justamente para cuidar das crianças especiais, dos jovens. Eles precisam de atenção, muita atenção. E, hoje em dia, nós, pais, estamos muito preocupados em trabalhar, pagar conta, colocar muito conforto, avareza, luxúria e esquecemos da educação”, explica.
Mãe de três filhos, de 30, 21 e 13 anos, ela afirma que sempre manteve conversas com os menores e monitora o uso do celular de sua filha mais nova. “Existe um bloqueio nos aparelhos celulares. Eu tenho como verificar o que ela acessa sem ela saber. Ela não tem Facebook, não tem idade para ter. Agora que ela teve WhatsApp”, conta.
“Sim, [converso com ela] para ver com quem que ela tá conversando, com quem que ela está tendo amizade na escola, para participar de reuniões, conversar com o professor. Esses dias aconteceu um problema lá na escola. Eu fui ver o que que aconteceu, e é coisa de adolescente mesmo, porque é assim, eles agem sem pensar, depois eles põem a cabeça no lugar”, disse.

Cuidado redobrado
O eletricista Rafael Santana, pai de dois filhos, de três e 10 anos, conta que está sempre monitorando e acompanhando o conteúdo exibido na internet a que seus filhos possam ter acesso. “Eu acompanho muito sobre a internet, tenho esse cuidado total, porque é muito risco na internet com esses desafios, é muito preocupante”, conta o eletricista.
Por isso, ele mantém o controle de perto sobre as crianças. “Então, a gente tem um acompanhamento no dia a dia. A gente procura estar do lado, orientando, vendo o tipo de conteúdo que eles estão assistindo, para que nada de mal aconteça.”

A funcionária pública Maria Helena Manfré, mãe de uma menina de 11 anos, também ‘está sempre de olho’ nas atividades da filha no celular e a proíbe de levar o aparelho para a escola. “Ela tem bastante instrução em casa, a gente procura sempre ver o que ela tá vendo […] Quando eu escuto muita ‘risadinha’, eu já vou pensar no que tá acontecendo, ela sempre deixa [verificar], né? Porque senão ela fica sem. Senão, o castigo é pior”, conta.

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(Revisão: Nichole Munaro)








