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Infectologista de MS descarta possibilidade de pandemia associada ao hantavírus

Não há registros de contágio feito de pessoa para pessoa no Brasil
Idaicy Solano -
Infectologista Julio Croda. (Foto: Reprodução)

Não existe risco de ocorrer uma pandemia associada ao hantavírus, esclarece o médico infectologista da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Júlio Croda. Conforme o especialista, a variante responsável por infectar os passageiros do cruzeiro MV Hondiu, que partiu da Argentina, é o hantavírus andino, especificamente o chamado “clado 3”, que costuma circular na fronteira da Argentina com o Chile.

Embora essa variante esteja associada à transmissão da doença de pessoa para pessoa, Croda afirma que a transmissão entre seres humanos não chega a ser tão eficiente quanto um vírus respiratório. “Não existe nenhum risco de nova pandemia associada à hantavirose, porque não existe essa transmissão de pessoa para pessoa. O que a gente está falando é de um surto isolado de um barco”, destaca.

Além disso, Croda afirma não haver registros do hantavírus andino do Brasil. “As variantes que nós temos no Brasil de hantavirose não têm nenhum relato de transmissão humano-humano. A maioria das transmissões ocorrem através da exposição ao excremento de ratos silvestres.”

Segundo a SES (Secretaria Estadual de Saúde), o contágio ocorre, geralmente, em áreas rurais, e os principais grupos propícios a contraírem a doença são prestadores de atividades envolvendo agricultura e profissionais envolvidos em limpeza de depósitos, silos, galpões e locais fechados.

Especialista esclarece boatos envolvendo vacinas

Novos casos da doença registrados no Paraná e no Paraguai, ambos na divisa de Mato Grosso do Sul, deixaram a população em alerta e provocaram uma onda de desinformação nas redes sociais, incluindo até boatos de que a doença poderia ser um “efeito colateral” da vacina contra a covid-19.

A médica e presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia, Andyane Tetila, esclarece que é falsa a informação de que o hantavírus aparece como efeito colateral na bula da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Pfizer. Em suma, as pessoas que receberam o imunizante não correm maior risco de contrair a doença.

Conforme a especialista, a imagem compartilhada nas redes sociais mostra, na verdade, uma “lista de acontecimentos adversos de especial interesse”, utilizada para monitoramento de segurança durante os estudos clínicos e a aplicação em larga escala do imunizante.

A relação reúne mais de mil eventos que os pesquisadores acompanham de forma preventiva, caso sejam registrados ao longo do processo, o que não significa que tenham sido causados pela vacina.

“Esse tipo de boato pode gerar pânico desnecessário, porque associa indevidamente uma vacina amplamente utilizada a uma doença grave. A população deve buscar informações em fontes oficiais, como o Ministério da Saúde, a Anvisa e as secretarias estaduais de saúde. Espalhar esse tipo de conteúdo prejudica a confiança em vacinas e também atrapalha a compreensão correta sobre as doenças infecciosas”, alerta a especialista.

Principais sintomas da doença

 Conforme a SES (Secretaria Estadual de Saúde), os sintomas iniciais não são específicos, mas podem incluir febre, dores musculares, dor na região dorsolombar, dor abdominal, cansaço intenso, forte dor de cabeça e alterações gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. Esse primeiro período pode durar de um a seis dias, chegando, em alguns casos, a duas semanas antes de apresentar melhora temporária.

Outro sinal de alerta envolve o aparecimento de tosse seca, sintoma que pode indicar a evolução para uma forma mais grave da doença. Nesses casos, pode haver comprometimento cardiopulmonar, ocorrendo aumento da frequência cardíaca, dificuldade para respirar e redução da oxigenação no sangue.

O quadro pode evoluir rapidamente para acúmulo de líquido nos pulmões, queda de pressão arterial e comprometimento da circulação, exigindo atendimento médico imediato.

Em alguns casos, o paciente pode apresentar comprometimento renal, geralmente leve ou moderado. Essa é a fase com maior risco de óbitos, por conta da rápida evolução e da gravidade das complicações.

Tratamento da hantavirose

Ainda não existem medicamentos antivirais específicos para o tratamento das infecções por hantavírus. Por isso, todo paciente com suspeita de síndrome cardiopulmonar por hantavírus deve ser encaminhado com urgência para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

O tratamento é de suporte clínico e busca controlar os sintomas e prevenir complicações da doença. Ele pode incluir suporte respiratório com oxigênio, hemodiálise em casos necessários e medidas para estabilizar quadros de choque.

Medidas de prevenção

O Ministério da Saúde orienta que, para evitar o contágio, é necessário adotar uma série de medidas sanitárias, incluindo:

  • Evitar o acúmulo de lixo, entulhos, restos de alimentos e materiais que possam servir de abrigo e alimento para roedores;
  • Manter alimentos, rações e grãos armazenados em recipientes fechados e à prova de roedores;
  • Vedar frestas e aberturas em residências, depósitos e galpões;
  • Realizar limpeza de ambientes fechados e possivelmente contaminados apenas após ventilação mínima de 30 minutos;
  • Não varrer locais com sinais de roedores secos, evitando formação de aerossóis;
  • Utilizar pano úmido com detergente ou solução desinfetante à base de hipoclorito durante a limpeza;
  • Utilizar equipamentos de proteção individual, especialmente máscaras PFF3, luvas, avental e óculos de proteção em situações de risco ocupacional ou durante investigações ambientais.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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