Aconteceu na tarde desta quarta-feira (28) a cerimônia de apresentação dos resultados da pesquisa da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. Os dados revelaram um cenário alarmante: mais da metade das mulheres que estão em presídios do interior de Mato Grosso do Sul sofreu violência doméstica antes da prisão.
O dado surgiu a partir de entrevistas com 488 mulheres privadas de liberdade em unidades prisionais do Estado, localizadas em Corumbá, São Gabriel do Oeste, Três Lagoas, Jateí, Ponta Porã e Rio Brilhante.
O levantamento identificou que 56,5% das entrevistadas sofreram violência doméstica antes do encarceramento.
Além disso, 39,3% relataram violência ou abuso sexual na infância ou adolescência, enquanto 20,1% afirmaram ter sofrido algum tipo de violência dentro do sistema prisional. Dessas mulheres, 55 ressaltaram que já sofreram violência praticada pelos próprios agentes penitenciários.
O estudo foi realizado pelo Nudem (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres), em parceria com a CPES (Coordenadoria de Pesquisas e Estudos), da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.
Kriciliane Oliveira Souza Oksman, defensora pública e coordenadora do Nudem, ressaltou que uma história chamou sua atenção.
“Uma moça foi detida temporariamente em um presídio daqui e voltou para a cidade de origem para esperar o julgamento. Quando ela foi julgada, pediu para cumprir pena aqui porque alegava que, na estrutura da unidade prisional de Jateí, foi muito bem tratada”, destacou a coordenadora.

Durante a cerimônia, também foram apresentados dados que mostram que 47,1% das mulheres entrevistadas nunca tiveram suas carteiras de trabalho assinadas.
O crime mais cometido por essas mulheres é o tráfico de drogas. Entre elas, 162 alegaram ter cometido o crime por questões econômicas, enquanto 68 afirmaram que o fizeram por vínculos amorosos.
O projeto contou com quatro etapas e surgiu a partir de uma pesquisa realizada na Capital.



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(Revisão: Dáfini Lisboa)




