Aos 81 anos, a aposentada Zoraide França enfrenta uma realidade que transformou tarefas simples em desafios quase impossíveis. Moradora há 25 anos da Rua Joaquim Barbosa de Souza, no bairro Pioneiros, em Campo Grande, ela hoje depende de cadeira de rodas e da ajuda de outras pessoas, até mesmo para sair de casa. O problema é que a rua onde vive, com cerca de 200 metros de extensão, segue sem asfalto.
A via, localizada entre as ruas Luis Pereira e Newton Grande, apresenta buracos e desníveis que impedem a circulação segura, especialmente para quem tem mobilidade reduzida. No caso de Zoraide, a situação impacta diretamente sua autonomia e qualidade de vida.
“Já moro aqui há 25 anos. Logo que comprei disseram que iam asfaltar, mas está assim até hoje. Não dá nem pra sair lá na rua, tomar um ar, porque não tem condições”, relata. Há três meses, ela passou a usar cadeira de rodas após perder os movimentos das pernas. Desde então, sair de casa se tornou ainda mais difícil.
“Nunca pensei que ia ficar dessa forma, tendo que andar de cadeira de rodas. Eu fazia as coisas, andava, mas agora paralisei as duas pernas. Tenho que andar só pelas mãos dos outros, dos amigos, das amigas, dos filhos, mas cada um tem sua vida”, diz. “Queria poder ir até a esquina, voltar, já estaria bom”, relatou.
Mesmo com ajuda, o trajeto é limitado, pois, para chegar até a calçada, Zoraide precisa ser levada na cadeira. A partir dali, sem pavimentação, o deslocamento só é possível sendo carregada. “Eles têm que me levar na cadeira até a calçada e depois tenho que seguir no colo”, conta.



Amigas ajudam como podem
A estudante de psicologia Kátia Rodrigues de Oliveira, de 39 anos, passou a visitar a idosa com frequência nas últimas semanas e relata a dificuldade. “A gente consegue tirar ela de dentro de casa, colocar aqui na área, mas levar para a rua é impossível. A cadeira de rodas não anda de forma alguma nessa via”, afirma.
Segundo Kátia, o desejo de Zoraide é simples. “Ela sempre fala que queria sair, dar uma volta. Se tivesse asfalto, seria fácil, a gente poderia tentar alguma coisa”, explica. “Aqui na rua há ainda mais idosos, e eles também falam da dificuldade. Até para quem anda é perigoso, pode cair e se machucar”, conta.


Asfalto em outros bairros
A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande, relatando as condições da Rua Joaquim Barbosa de Souza e questionando se há previsão de manutenção ou asfaltamento da via, além de possíveis medidas emergenciais que pudessem atender a idosa. Até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Na última semana, a prefeita Adriane Lopes anunciou um pacote de R$ 136 milhões para obras de asfaltamento em 28 bairros da Capital. O investimento, segundo a Prefeitura, deve chegar a R$ 540 milhões até 2028.
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(Revisão: Nichole Munaro)





