Campo Grande registrou queda de 24% nas notificações de sífilis, de acordo com relatório do setor de Vigilância Epidemiológica da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), neste primeiro trimestre do ano. Ao Jornal Midiamax, a enfermeira Jaqueline Barboza de Oliveira, gerente técnica da sífilis congênita, ressaltou que a tendência é a queda.
A sífilis permanece como uma das ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) mais predominantes no município, especialmente na forma adquirida e em gestantes. Os dados incluem sífilis adquirida (não especificada), sífilis em gestantes e sífilis congênita.
“O nosso número de casos é bem elevado. A gente calcula sífilis por agravo, tem a doença adquirida, gestante e congênita. Elas são calculadas separadamente, mas a gente calculou tudo junto, porque todos reduziram o número de casos. A sífilis congênita, que é a do bebê, é a que mais nos preocupa, porque indica falha na assistência do pré-natal ou algum outro fator, como a assiduidade da mulher, um diagnóstico tardio ou até mesmo o fato de a mulher não estar comprometida com a sua gestação”, ressaltou Jaqueline.
Atuação é para identificar falha na assistência, explica enfermeira

Neste sentido, a frente da atuação do setor é, prioritariamente, identificar a possível falha na assistência. “Foi aí que diminuímos. Estava em 147, em 2024, e uma taxa de incidência em 12,8%. E, agora, em 2025, temos 116 casos e uma taxa de incidência de 9,76%; então, aumentou o número de nascidos e diminuiu o número. Tivemos 11.876 nascidos e diminuiu o número de casos de sífilis congênita. Isso é muito bom para o município”, ressaltou a enfermeira.
Agora, o setor está em busca de uma meta nacional, que é o “selo bronze”, com uma taxa de 7,5% de incidência de casos de sífilis.
“Ainda estamos em 9,76%, e a gente vem trabalhando para alcançar este número, trabalhando com grandes capacitações de profissionais, envolvendo enfermeiros e médicos, os quais manejam a sífilis nos postos de saúde. Uma será no primeiro semestre e a outra no segundo semestre, além de ações pontuais, que é quando identificamos que, por exemplo, alguma unidade em específico não está sabendo manejar adequadamente este agravo, a gente vai in loco visitar estas unidades, e isso nos dá uma resolutividade maior”, argumentou Barboza.
Sem pré-natal, é feita notificação de violência
Nos postos de saúde, os profissionais são ouvidos e explicam por que a sífilis culminou na doença congênita. “Grande parte dos casos é porque a mulher não fez o pré-natal e não se comprometeu com o tratamento. É claro que existem casos que são falhas nossas, e trabalhamos nisto. Quando é a mulher que não se compromete, a unidade é orientada a notificar; então, faz a notificação de violência, de negligência da mulher, e isso passa pelo setor de serviço social, e essa mulher passa a ser acompanhada pelo setor”, explicou a enfermeira.
Além disso, a Sesau, em algumas unidades, possui um serviço em que as equipes é que vão até a casa da mulher. “Tem casos em que é difícil para esta pessoa ir, tem muitos filhos, por exemplo; então, eles [os profissionais] vão, a cada sete dias, para aplicar as três doses de penicilina, em domicílio”, comentou.
Mantendo a medicação e oferta do tratamento, o órgão atua, ainda, avaliando os testes e diagnósticos da doença, em Campo Grande. “Temos casos, também, de pré-natal feito na rede privada, que culminou na sífilis congênita, e isso entra no nosso número de casos. Agora, o Ministério da Saúde publicou uma medicação para prevenção da sífilis, assim como temos o pré para HIV. A gente observa que o uso do preservativo não resolveu o problema; então, há anos ocorre a distribuição, e ainda continua tendo muitos casos de ISTs — por isso a antecipação para prevenção da sífilis”, finalizou.
Número de casos caiu, segundo Sinan
Entre 2024 e 2025, de acordo com dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), consolidados no início deste ano, o número total de casos caiu de 2.533 em 2024 para 1.788 em 2025 — uma redução de 745 registros, o que representa diminuição de cerca de 30% (29,4%).
Em 2024, foram registrados: 1.599 casos de sífilis adquirida; 712 casos em gestantes; 222 casos de sífilis congênita. Em 2025, os números apontam: 1.063 casos de sífilis adquirida; 588 em gestantes; 137 casos de sífilis congênita. A redução foi observada em todas as categorias.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






