A vacina contra a meningite deixou de ser oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde)? Nas últimas semanas, essa informação repercutiu nas redes sociais e gerou dúvidas entre pais e responsáveis. No entanto, a afirmação é falsa. O SUS continua disponibilizando gratuitamente vacinas contra a doença em todo o país.
A confusão surgiu após o Governo Federal decidir não incorporar, neste momento, a vacina contra o meningococo do tipo B (Meningo B) ao calendário nacional de imunização. A medida, publicada em abril, provocou críticas e acabou interpretada de forma equivocada por usuários das redes sociais, que passaram a afirmar que o SUS teria deixado de oferecer proteção contra meningite.
Meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e outros agentes infecciosos. Conforme o Ministério da Saúde, as virais costumam apresentar quadros mais leves e menor taxa de mortalidade, enquanto as bacterianas estão entre as mais graves, devido ao risco elevado de complicações e morte.
O que o SUS oferece?
No Brasil, o SUS oferece dois tipos de imunizantes na rede pública. A vacina meningocócica C para bebês, aplicada aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses. Já adolescentes entre 11 e 14 anos recebem a vacina meningocócica ACWY, que protege contra quatro sorogrupos da bactéria: A, C, W e Y.
Além disso, o Ministério da Saúde anunciou uma ampliação da proteção infantil. A partir de 2025, o reforço aplicado aos 12 meses passou a ser feito com a vacina ACWY, substituindo a dose da meningocócica C. Com isso, as crianças passarão a ter cobertura contra mais variantes da doença já no primeiro ano de vida. Já as vacinas BCG e pneumocócica também previnem a meningite.
O imunizante que permanece fora do SUS é a vacina Meningo B, indicada contra o sorogrupo B da bactéria Neisseria meningitidis, uma das principais causas de meningite bacteriana no Brasil. Atualmente, a vacina está disponível apenas na rede privada.
Ou seja, as principais vacinas disponíveis protegem contra bactérias, que causam as formas mais graves da doença. O que pode gerar confusão é que não existe uma vacina única que proteja contra todos os tipos de micro-organismos que causam meningite ao mesmo tempo.
Doses chegam a R$ 2 mil na rede particular
Mesmo fora do calendário básico do SUS, entidades como a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomendam a aplicação da vacina. O esquema vacinal prevê três doses, aplicadas aos 3, 5 e 12 meses de idade.
Na rede privada, duas vacinas contra meningite B são comercializadas: a Bexsero, produzida pela GSK, indicada para pessoas de 2 meses a 50 anos; e a Trumenba, fabricada pela Pfizer, voltada principalmente para jovens entre 10 e 25 anos.
Mas o alto custo segue como um dos principais obstáculos para as famílias. O valor de cada dose varia entre R$ 600 e R$ 750. Como o esquema vacinal prevê múltiplas aplicações, o valor total pode ultrapassar R$ 2 mil por criança.

Vacinas custariam 14% do orçamento anual
No ano passado, o Ministério da Saúde abriu consulta pública para discutir a incorporação da vacina Meningo B ao SUS. A proposta foi apresentada pela farmacêutica GSK à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), órgão responsável por avaliar a inclusão de novos tratamentos e vacinas na rede pública.
Segundo o dossiê apresentado pela empresa, o custo da inclusão do imunizante seria de aproximadamente R$ 5,5 bilhões ao longo de cinco anos. Em contrapartida, a farmacêutica argumenta que a vacinação poderia reduzir gastos hospitalares e despesas com o tratamento de pacientes que desenvolvem sequelas da doença.
Hoje, o SUS investe cerca de R$ 8 bilhões por ano na oferta gratuita de mais de 30 vacinas. Ou seja, a inclusão da Meningo B representaria um custo equivalente a aproximadamente 14% do orçamento anual destinado à vacinação pública no país.
Além disso, em nota, o Ministério da Saúde argumentou que a quantidade disponível atualmente no mercado seria suficiente para atender apenas cerca de 15% da demanda nacional. Segundo a pasta, as decisões sobre incorporação de novas vacinas seguem critérios técnicos, como capacidade de oferta, impacto financeiro e evidências científicas.
Meningite B é a mais grave?

A não incorporação da vacina no SUS gerou debate porque o sorogrupo B é o mais incidente entre os causadores da doença meningocócica. Conforme o Ministério da Saúde, 59% das DMIs (doenças meningocócicas invasivas) no Brasil são causadas pelo sorogrupo B, sendo que 2 em cada 10 pessoas afetadas vão a óbito.
Somente em 2025, o Brasil registrou 5.788 casos de meningite bacteriana e 1.144 mortes (sem recorte de subgrupo). No mesmo período, a meningite viral contabilizou 4.681 casos e 125 óbitos.
Além da elevada taxa de letalidade, especialistas alertam para o risco de sequelas permanentes. Entre 10% e 20% dos sobreviventes podem desenvolver complicações graves, como surdez, amputações, déficits neurológicos e dificuldades cognitivas.
Historicamente, o sorotipo C da bactéria Neisseria meningitidis era o mais prevalente no Brasil desde 2010. No entanto, esse cenário começou a mudar em 2015, quando o sorogrupo B passou a liderar os casos entre crianças menores de 1 ano.
A mudança se consolidou nos anos seguintes. Em 2023, o meningo B tornou-se o sorotipo mais incidente na população brasileira em geral. Já em 2024, as meningites bacterianas superaram, pela primeira vez em décadas, os casos de meningite viral no país.
Cenário da doença em MS
Enquanto a incorporação da vacina segue em debate, os dados da doença mostram avanço dos casos de meningite bacteriana e redução dos tipos virais nos últimos anos. Entre 2024 e 2026, o Brasil registrou 31.666 casos de meningite, segundo dados do Ministério da Saúde. Foram 14.125 registros em 2024; 13.535 em 2025; e 4.006 notificações em 2026, até o momento.
No mesmo período, Mato Grosso do Sul contabilizou 267 casos da doença. O Estado registrou 137 casos em 2024; e 114 em 2025. Neste ano, o Estado registrou seis mortes e 24 casos notificados.
A meningite bacteriana aparece como o tipo mais frequente tanto no país quanto em Mato Grosso do Sul. Em nível nacional, foram 5.714 casos em 2024; 5.788 em 2025; e 786 em 2026. Já no Estado, houve 55 registros em 2024; 51 em 2025; e nove noticiações neste ano.
Em relação à meningite viral, que antes liderava as ocorrências no país, esta apresentou estabilidade nos últimos anos. No Brasil, os casos passaram de 612 em 2024 para 681 em 2025 e chegaram a 694 em 2026. Em Mato Grosso do Sul, foram registrados 19 casos em 2024, 23 em 2025 e um caso neste ano.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








