Mato Grosso do Sul não registrou reações adversas graves relacionadas à vacina contra a dengue Butantan-DV, suspensa temporariamente pelo Ministério da Saúde para investigação de possíveis eventos associados ao imunizante. Ao todo, o Estado aplicou 7.333 doses da vacina e registrou 137 notificações de reações adversas, todas classificadas como não graves e compatíveis com os efeitos esperados após a imunização.
Desde o início da estratégia de imunização, Mato Grosso do Sul recebeu 15.200 doses da Butantan-DV e aplicou 7.333 delas em grupos específicos. Com a suspensão temporária, a SES (Secretaria Municipal de Saúde) informou que seguirá integralmente as determinações do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
137 pacientes tiveram reações
As 137 notificações de ESAVI (Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização) foram registradas no sistema e-SUS Notifica e seguem sendo acompanhadas pelas equipes de vigilância em saúde. Parte dos casos já teve a investigação concluída, enquanto os demais permanecem em análise, conforme os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
A SES destacou que a identificação desses eventos ocorre por meio dos protocolos de farmacovigilância, mecanismo utilizado para monitorar a segurança das vacinas após sua incorporação aos sistemas públicos de saúde.
“Diante da suspensão, os municípios sul-mato-grossenses foram orientados a interromper imediatamente a aplicação da Butantan-DV, armazenar adequadamente as doses disponíveis e reforçar o monitoramento das pessoas imunizadas recentemente”.

Além disso, a SES esclareceu que a Rede de Frio Estadual mantém 408 doses da vacina em estoque, armazenadas e monitoradas de acordo com as normas de conservação e segurança.
Vacina suspensa
A suspensão temporária da vacina Butantan-DV ocorreu após a identificação de 42 reações adversas em pessoas vacinadas em diferentes regiões do país. Entre os casos, três foram classificados como graves, incluindo duas mortes que ainda estão sob investigação para verificar uma possível relação com a vacina.
De acordo com o Ministério da Saúde, os eventos identificados representam cerca de 0,008% das aproximadamente 500 mil doses da Butantan-DV aplicadas no país até 30 de maio. Até o momento, não há comprovação de relação causal entre os casos registrados e a vacina.
A secretaria reforça que o acompanhamento de eventos adversos é uma prática rotineira dos programas de imunização e integra as ações permanentes de vigilância para garantir a segurança e a qualidade das vacinas ofertadas à população.
Dourados não registrou reações

Em Dourados, cidade que vive uma epidemia de chikungunya, a prefeitura recebeu apenas 70 doses da Butantan-DV, destinadas exclusivamente a profissionais que atuam na linha de frente das UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Segundo o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, todas as doses foram aplicadas e não houve intercorrências.
“As doses foram aplicadas em 70 profissionais da saúde, sem nenhuma reação alérgica ou intercorrência. Também não temos nenhum caso de reação adversa em investigação”, afirmou.
O secretário destacou que a estratégia de vacinação com a Butantan-DV era voltada prioritariamente a profissionais da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, a pessoas entre 15 e 49 anos em apenas quatro regiões do país: Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e a região de Araguaína (TO).
“Não existe qualquer motivo para preocupação em Dourados”, reforçou.
E a chikungunya?
O secretário também esclareceu que a vacina contra chikungunya, igualmente produzida pelo Instituto Butantan e aplicada recentemente no município, não possui qualquer relação com a Butantan-DV.
Segundo ele, a campanha contra a chikungunya está paralisada porque as doses enviadas ao município venceram no início deste mês e um novo lote ainda não foi encaminhado pelo Ministério da Saúde.
Considerado o epicentro da chikungunya no país, Mato Grosso do Sul concentra 61,1% das 36 mortes registradas no país em 2026. O Estado também acumula 12.864 notificações da doença. A vacina contra dengue passou a ser aplicada em MS após a alta incidência de casos.
Das 22 mortes confirmadas em Mato Grosso do Sul, 14 ocorreram em Dourados. Na sequência, aparecem Bonito e Jardim, com dois óbitos cada. Fátima do Sul, Guia Lopes da Laguna, Douradina e Itaporã registraram uma morte cada.
Campo Grande aplicou mais de mil doses da Butantan-DV
Na Capital, foram aplicadas 1.033 doses da vacina Butantan-DV, também exclusivamente em profissionais da Atenção Primária à Saúde. Até o momento, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informa que não houve registro de reações adversas entre os imunizados.
Após a determinação do Ministério da Saúde, a Sesau orientou a suspensão imediata da aplicação do imunizante em todas as unidades da rede municipal. As doses remanescentes permanecerão armazenadas até nova definição das autoridades sanitárias.
A secretaria orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias observem possíveis sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes e outros sinais de alerta, procurando atendimento médico caso necessário.
Vacinação com a Qdenga
Mato Grosso do Sul também mantém a campanha de vacinação contra a dengue com a Qdenga, imunizante produzido pelo laboratório japonês Takeda e destinado a adolescentes de 10 a 14 anos.
Dados da SES mostram que o Estado recebeu 241.030 doses da vacina e já aplicou 223.322, sendo 147.123 referentes à primeira dose (D1) e 88.420 à segunda dose (D2). A cobertura vacinal alcança 73,79% para a primeira dose e 44,34% para a segunda. Entre a população-alvo, foram aplicadas 201.349 doses.
Tomei a vacina, e agora?
Para quem recebeu a vacina contra a dengue Butantan-DV antes da suspensão temporária determinada pelo Ministério da Saúde, especialistas afirmam que não há motivo para pânico.
A SES orienta que os vacinados observem seu estado de saúde durante os 21 dias após a aplicação e procurem atendimento médico imediatamente caso apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
Já a médica infectologista do HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados), Andyane Tetila, reforça que as pessoas que receberam o imunizante antes da suspensão devem permanecer tranquilas, mas atentas a possíveis sinais de alerta nas próximas semanas.
“Para quem já recebeu o imunizante, a orientação é manter a tranquilidade, observar o estado de saúde nos 21 dias após a aplicação e procurar atendimento médico imediatamente caso apresente algum dos sintomas de alerta”, destaca a infectologista.
Entre os sintomas que merecem atenção estão febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação e agravamento do estado geral de saúde.
MS investiga duas mortes por dengue

Mato Grosso do Sul investiga duas mortes suspeitas por dengue que, se confirmadas, serão os primeiros óbitos registrados pela doença no Estado em 2026. Os dados do boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado de Saúde) apontam que, desde o início do ano, foram contabilizados 5.134 casos prováveis de dengue, dos quais 1.184 já tiveram confirmação laboratorial.
Em todo o país, já foram confirmadas 178 mortes por dengue, enquanto 221 óbitos seguem em investigação. O número de casos prováveis da doença já alcança 365.073 registros.
Apesar das mortes em análise, o cenário deste ano é significativamente mais em comparação aos anos anteriores. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 8.461 casos confirmados e 20 mortes por dengue; no mesmo período, já haviam 12 mortes confirmadas. Em 2024, foram 16.229 casos e 32 óbitos, enquanto 2023 contabilizou 41.046 confirmações e 43 mortes.
Entre os municípios com maior número de casos confirmados em 2026, Corumbá lidera o ranking estadual, com 268 registros. Na sequência aparecem Costa Rica (136), Dourados (91), Santa Rita do Pardo (60), Douradina (58), Ladário (58) e Caarapó (48). Campo Grande soma 39 casos confirmados.
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