As seleções europeias, vinculadas à Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), votaram pelo boicote às futuras edições da Copa do Mundo em protesto contra a Fifa. Segundo comunicado emitido pelo órgão máximo do futebol na Europa, 55 associações-membro são contra a proposta da Fifa de vender participações a investidores privados.
O pronunciamento oficial ocorreu após uma reunião realizada nesta quinta-feira (30), com votação unânime. “Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes”, diz o comunicado da Uefa.
Assim, o próximo torneio a ser afetado é a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil. Com o possível boicote dos europeus, três das quatro seleções semifinalistas em 2023 ficariam fora do torneio, incluindo a campeã Espanha.
Entenda a proposta da Fifa
Na terça-feira (28), a entidade máxima do futebol anunciou o plano de criar uma empresa privada para comercializar e organizar as competições da Fifa, com a premissa de aumentar os repasses para as federações filiadas.
A expectativa é de que a companhia FFE (Fifa Forward Enterprise) receba investidores privados, que poderiam comprar cerca de US$ 4,2 bilhões, o equivalente a pouco mais de 20% do valor estipulado para a empresa. Com isso, a quantia de R$ 41 milhões paga a cada país federado poderia aumentar para R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030.
Confira parte do comunicado oficial da Uefa:
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global. No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo.”
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(Revisão: Nichole Munaro)











