Meses após interromper temporariamente a formação por falta de recursos financeiros, a jovem campo-grandense Raíssa Costa Aurélio alcançou uma das maiores conquistas de sua trajetória: tornou-se oficialmente piloto de avião. Aos 20 anos, ela recebeu a licença de piloto privado e agora segue rumo ao próximo objetivo: a formação para piloto comercial.
Em 2025, o Jornal Midiamax contou a história da jovem que conciliava faculdade de Ciências Biológicas, trabalho e os altos custos da formação aeronáutica. Na época, ela precisou pausar os estudos devido ao valor das horas de voo, mas continuava determinada a encontrar maneiras de seguir em frente.
Agora, com a licença em mãos, Raíssa descreve o momento como uma recompensa por toda a dedicação investida ao longo do processo.
“Foi uma mistura de felicidade e gratidão. Guardo comigo todas as dificuldades que enfrentei nesses dois anos, e perceber que, apesar de tantos fatores desfavoráveis, consegui superar cada um deles com muita resiliência foi extremamente emocionante.”
Conquista
“Gosto muito da frase: ‘A obsessão vence o talento, todas as vezes’. Embora eu ainda tenha um longo caminho pela frente na licença de piloto comercial, conquistar a licença de piloto privado já representa uma realização enorme para mim.”
Além disso, ela destaca que, ao longo das aulas, descobriu uma coragem e uma força que não imaginava possuir, especialmente no primeiro voo solo. Segundo ela, a aviação exige sair constantemente da zona de conforto, enfrentar limites e evoluir, tornando a experiência desafiadora e transformadora.
Elas no comando
A conquista também representa um avanço para a presença feminina em um setor ainda predominantemente masculino. Embora perceba mudanças positivas nos últimos anos, Raíssa acredita que ainda há barreiras a serem superadas.
“Tenho muitas amigas que também estão no processo de formação para se tornarem pilotos. Ainda assim, o preconceito não desapareceu completamente, e o número de mulheres atuando profissionalmente na aviação continua sendo relativamente pequeno.”
“Às vezes recebo mensagens de pessoas que dizem se inspirar na minha trajetória, que também sonham em se tornar pilotos, mas enfrentam dificuldades semelhantes às que eu enfrento. Saber que minha caminhada pode ajudar alguém a acreditar que esse sonho é possível me deixa muito feliz. A aviação ainda é vista como uma área bastante fechada, então poder representar essa possibilidade para outras pessoas tem um significado especial.”

‘Batizada’
A jovem que um dia observava pousos e decolagens ao lado do pai no Aeroporto de Campo Grande agora coleciona suas próprias histórias nos céus. E, apesar da conquista da primeira licença, garante que esta é apenas uma etapa de uma jornada que ainda está começando.
“Tenho três memórias favoritas. A primeira é o meu voo solo, que é um marco na vida de qualquer piloto, inclusive, participei do tradicional ‘batismo’, com direito a banho de óleo. A segunda foi minha primeira navegação solo, quando voei sozinha até Bandeirantes e toda a responsabilidade da operação estava em minhas mãos. A terceira foi o meu cheque, momento em que finalmente conquistei minha CHT e pude oficializar toda a dedicação que investi ao longo dessa jornada”, conclui.
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(Revisão: Nichole Munaro)










