Morador do bairro Guanandi, em Campo Grande, Kleber Rogério Souza da Silva, de 29 anos, se tornou pai solo em 2026. Desde então, a rotina passou a ser dividida entre os cuidados com a filha Ayla, de apenas 2 anos, as limitações causadas por uma doença neurodegenerativa e a tentativa de reconstruir a vida.
Vivendo atualmente apenas com o benefício assistencial BPC (Benefício de Prestação Continuada), Kleber começou a compartilhar nas redes sociais parte da rotina ao lado da filha. Um dos vídeos publicados por ele chegou a 287 mil visualizações.
Os sintomas da doença apareceram em 2019, quando ele tinha 22 anos. Ele começou a perder o equilíbrio, força e mobilidade. Em 2024, Ayla nasceu e, segundo ele, também nasceu uma vontade de viver.
“Alguma coisa mudou. Eu já não conseguia olhar apenas para aquilo que tinha perdido. Precisava pensar naquilo que ainda poderia construir. Tinha uma filha que dependia de mim e eu queria ser o pai que ela merecia”.
Kleber conta que, enquanto cuida da filha, tenta encontrar caminhos para voltar a trabalhar, retomar projetos e conquistar novamente a independência que perdeu com o avanço das limitações de locomoção. A casa onde os dois vivem, qie foi doada pelos pais, também faz parte dos planos de reconstrução. Segundo Kleber, o imóvel tem seis ambientes, mas apenas a sala e a cozinha estão minimamente prontas e com piso. Nos demais cômodos, há paredes rachadas, telhas quebradas, infiltrações, mofo, falta de piso e necessidade de pintura.
“Enquanto eu lutava para lidar com a doença, com minha saúde mental e com as dificuldades financeiras, a casa também foi se deteriorando. Ano após ano, os problemas foram aumentando. Telhas quebraram, surgiram infiltrações, o mofo tomou conta de partes das paredes, apareceram rachaduras e muitas coisas que precisavam ser terminadas acabaram ficando para trás. Eu tinha uma casa para recomeçar, mas nunca consegui transformá-la completamente em um lar”, conta.
Carro na garagem
Hoje, a estrutura da casa tem apenas itens básicos, como cama, armário, fogão e micro-ondas. A intenção é transformar o espaço em um lar onde a filha possa crescer com mais segurança e conforto.
“Eu quero que a Ayla tenha o quartinho dela. Quero ter meu próprio quarto. Quero que ela possa crescer em um lugar seguro, Bonito e aconchegante. Quero que, quando eu entrar em casa, eu não veja apenas uma obra que ficou parada durante anos. Quero finalmente olhar para aquela casa e sentir que conseguimos transformá-la no nosso lar.”
Além da reforma, outro desafio é o carro. Kleber tem um Peugeot 307 automático, ano 2008, que ainda precisa de manutenção e de uma solução para uma pane elétrica. Ele também deve R$ 14 mil ao pai pelo veículo.
“Para mim, ele [carro] é praticamente minhas pernas. Sem ele, fico praticamente preso em casa. O transporte público fica longe e as condições das calçadas tornam muito difícil me locomover, especialmente considerando minhas limitações”, pontua.
“Sem o carro, fica mais difícil ir ao mercado, levar minha filha, sair de casa, fazer exercícios e resolver as coisas básicas da nossa vida. Ter um carro funcionando não significa apenas ter mais conforto. Significa ter um pouco mais de independência.”
Apelo para a solidariedade
Diante das dificuldades, Kleber decidiu pedir ajuda. A meta é arrecadar R$ 100 mil para reformar a casa, comprar os móveis que faltam, especialmente para montar o quarto da filha, quitar a dívida do carro e realizar os reparos necessários.
Parte dos recursos também seria destinada à criação de uma estrutura que permita a ele voltar a trabalhar e desenvolver os próprios projetos.
“Eu não quero viver dependendo de ajuda para sempre. Eu quero que essa ajuda seja o começo da minha reconstrução. Quero voltar a trabalhar, criar, desenvolver meus projetos. Quero inspirar outras pessoas que também estão passando por momentos difíceis. E quero, acima de tudo, conseguir olhar para a minha filha e saber que fiz tudo o que estava ao meu alcance para construir uma vida melhor para nós dois.”
Mesmo diante das dificuldades, Kleber diz que o objetivo vai além de conseguir melhorar a casa ou colocar o carro novamente na rua. Ele quer recuperar a autonomia e construir uma nova fase ao lado da filha. “Eu e a Ayla ainda temos muita coisa pela frente. E dessa vez, eu quero terminar o que comecei.”
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