Uma escultura de um pégaso, o famoso cavalo alado da mitologia grega, instalada na Praça Generoso da Costa Benevides, no Residencial União, ganhou visibilidade nas redes sociais após o influenciador Willian Lima, mais conhecido como Willian Urbi, gravar um vídeo mostrando a obra de forma descontraída.
Contudo, o vídeo que rendeu curiosidade, na verdade, esconde uma história marcada pela dor da perda, pela superação e pelo poder transformador da arte.
Por trás das esculturas está Fernando Cardenas, de 38 anos, professor e técnico de enfermagem, que encontrou nas obras espalhadas pela praça uma forma de enfrentar a depressão e resgatar o sentido da própria vida.
Segundo Fernando, a ligação com a arte começou ainda na infância, com a argila. Depois, já na maioridade, em 2008, ele começou a trabalhar na educação de Porto Murtinho. O talento era repassado aos alunos na disciplina de Artes. Mas, em 2013, ele decidiu seguir por outro caminho profissional, na área da saúde.
Motivação na arte
“Quando me formei, fui atuar na enfermagem e trabalhei até 2016, quando fui diagnosticado com depressão grave após perder meu pai e minha irmã adotiva em um acidente de trânsito.”
A perda da família mudou completamente sua rotina. Fernando precisou se afastar do serviço público e recomeçar em outra cidade.
“Me mudei de cidade e iniciei o tratamento aqui, em Campo Grande, com o apoio de amigos e familiares. Depois de me afastar do serviço público, meu médico me aconselhou a fazer as coisas de que eu gosto, aquilo que me inspira.”
Foi desse simples conselho de encontrar na arte um complemento para o tratamento da depressão que nasceu o projeto que hoje chama a atenção de quem passa pela Praça Generoso da Costa Benevides. Entre as obras já concluídas, está o relógio ornamental instalado na praça.
“O relógio é feito em policarbonato. Os números foram feitos com discos de vinil antigos. O relógio foi inspirado no que temos na Avenida Afonso Pena. Dentro dele, há uma lâmpada que acende à noite. Também tenho projetos para fazer um chafariz na praça. O cavalo alado foi inspirado no cavalo pégaso da Praça Tanguá, em Curitiba, do artista Sartori.”
Dedicação
Fernando conta que cada escultura exige tempo, dedicação e muita pesquisa. Em média, o trabalho com cada peça leva aproximadamente um mês. Além disso, os comerciantes e vizinhos da praça são outros que incentivam para novas peças serem instaladas para embelezar a praça. O novo projeto, um chafariz com esculturas de leões, também está em andamento.
“As bombas d’água já chegaram. Estou me organizando para fazer a instalação. Esse projeto já está sendo executado há cerca de dois ou três meses. Vou fazendo por etapas. Também pesquiso métodos de instalação, acabamento e pintura. Demora um pouco, mas vai sair. Tenho certeza de que vai ficar lindo, espetacular. Vai combinar com o relógio e com toda a praça.”
Apoio dos moradores
Apesar da dedicação, Fernando também enfrentou momentos difíceis ao ver algumas de suas obras destruídas por atos de vandalismo. Havia outras peças na praça que acabaram sendo destruídas nos últimos meses, como um cisne em alto-relevo e um casal de golfinhos.
“Quando vi o cisne quebrado, chorei. Dá muito trabalho fazer uma escultura. Fiquei desanimado e pensei em não fazer mais nada. Depois de um tempo, pensei: não é porque algumas pessoas quebram que vou deixar de fazer uma coisa de que gosto. É um bem para a comunidade. É um adorno para o bairro, para as famílias que passam por aqui, para as crianças que vêm passear.”
“Depois do cavalo, fiz outra taça com um golfinho, que também está instalada na praça. Agora estou trabalhando no chafariz. Tudo isso só é possível graças ao apoio da Associação de Moradores, do presidente do bairro, dos comerciantes locais e de pessoas como a dona Neide, da farmácia, que sempre nos incentivam.”
Motivo para continuar
Segundo ele, esse reconhecimento faz toda a diferença. Com o novo chafariz em fase final de preparação, Fernando já sonha com os próximos projetos para a praça.
“Quando uma pessoa quebra uma escultura, ela tenta nos desmotivar. Mas, quando vemos famílias passeando, crianças admirando as obras, moradores prestigiando o trabalho e até esse reconhecimento por meio da imprensa, isso nos dá ainda mais vontade de continuar.”
“Já estou ansioso para instalar o chafariz. Estou me organizando para que isso aconteça o mais breve possível. Quero que ele ajude a deixar a praça ainda mais bonita para toda a comunidade”, conclui.


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(Revisão: Nichole Munaro)












