Todos os tamanduás-bandeira são iguais? Um novo estudo publicado na revista científica Mammal Research, no dia 19 de agosto, revela que não e que a espécie possui uma “digital” na pelagem. O estudo estruturou um catálogo inédito, indicando características como as listras dorsais, manchas nos cotovelos e o chamado “bracelete” das patas dianteiras, o que pode tornar mais consistente a identificação de indivíduos em registros de armadilhas fotográficas.
O estudo é assinado por Gabriel Favero Massocato, do Icas (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), e Houston Zoo; Alessandra Bertassoni, do Inma (Instituto Nacional da Mata Atlântica), Icas e UFG (Universidade Federal de Goiás); Vitor Adorno, da UFG; e Arnaud L. J. Desbiez, do Icas e da RZSS (Royal Zoological Society of Scotland), que também atuam em Mato Grosso do Sul.
A equipe analisou 553 registros de tamanduás-bandeira obtidos por armadilhas fotográficas no Pantanal e no Cerrado. Após cerca de 120 horas de análise, 36 imagens que atendiam aos critérios de qualidade foram selecionadas para compor o catálogo.
Conforme a pesquisadora Alessandra Bertassoni, características do pulso, do pé e da crista também podem auxiliar na diferenciação. “Trabalhamos com imagens obtidas em condições muito diferentes, inclusive durante o dia e à noite, e percebemos como é importante observar uma combinação de características da pelagem ao mesmo tempo. Uma única marca pode ser semelhante entre dois animais, mas a combinação de diferentes padrões fornece muito mais informação para diferenciá-los.”

Estudo amplia futuras pesquisas
Estudos anteriores já haviam demonstrado que tamanduás-bandeira podem ser identificados individualmente por características da pelagem. O avanço agora é organizar a variação dessas marcas em uma referência visual estruturada, facilitando sua interpretação e tornando a identificação mais consistente e replicável.
“O catálogo reúne essas características e mostra como diferentes padrões podem ser combinados para tornar a identificação mais consistente, inclusive quando a qualidade das imagens não é ideal. A identificação individual é importante para estudos sobre tamanho e dinâmica das populações e uso do espaço, contribuindo para o monitoramento e a conservação do tamanduá-bandeira, espécie classificada como Vulnerável pela União Internacional para a IUCN (Conservação da Natureza)”, destaca Alessandra Bertassoni, pesquisadora do INMA.
O trabalho também abre caminho para o desenvolvimento de ferramentas automatizadas de reconhecimento. Bases de imagens organizadas e padronizadas podem contribuir para o treinamento de sistemas de inteligência artificial capazes de auxiliar pesquisadores na identificação individual de animais em grandes conjuntos de fotografias, como as coletadas por armadilhas fotográficas.
A integração entre o conhecimento de especialistas e ferramentas de IA é apontada pelos autores como um dos próximos passos para ampliar o monitoramento ecológico da espécie. A abordagem também poderá ser explorada em outros mamíferos com padrões de pelagem sutis ou pouco contrastantes, como tamanduás-mirins, antas e onças-pardas.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






