Denise Nunes, especialista em psicologia organizacional, viralizou nas redes sociais após expor um salão de beleza famoso de Campo Grande sobre casos de racismo. O vídeo, que supera 15 mil visualizações, relata que clientes escolhem o profissional pela cor da pele.
Ao Jornal Midiamax, Denise relatou que soube do caso por uma amiga, que trabalhou no local. Ela publicou o relato para incentivar outras pessoas a denunciarem casos de racismo.
“Quando ela me contou, fiquei incrédula e perguntei: ‘Mas ninguém fez nada?’. E ela respondeu: ‘Falar para quem, Denise? Não dá nada. A gente se acostuma com o tanto que acontece’. Aquilo me pegou muito, porque ela já enxerga aquilo como algo normal. Quando a pessoa já nem acredita que reclamar vai mudar alguma coisa, é porque o problema é muito maior que um episódio isolado”, diz.
‘Não tenho perfil’
Denise tem o perfil no Instagram, que inclusive é seu lema nas redes sociais, para falar sobre como o mercado de trabalho costuma rotular candidatos e usar critérios que não são neutros, antes da competência.
Jeito de falar, vocabulário, roupa, região onde mora. Tudo que faz parte da personalidade de uma pessoa é colocado em jogo por empresas que publicam “vagas arrombadas”.
“O mais curioso foi que, depois do vídeo, muita gente começou a me mandar relatos dizendo: ‘Aconteceu comigo também’.” Acho que as pessoas estão cansadas da versão maquiada do mundo do trabalho. No LinkedIn e em outras redes sociais, está todo mundo falando de cultura, propósito e ambiente colaborativo, mas, nos bastidores, a história é outra.”
“Se chegarem mais relatos, vou falar sobre eles [empresas tóxicas] e sobre outras estruturas de poder para dominar as pessoas, como igrejas também. Não vou prometer uma lista de empresas ou igrejas porque também não quero acordar com 37 advogados na minha porta. Mas o perfil nasceu justamente para abrir espaço para essas histórias, então, não faria sentido eu fingir que não vi a demanda”, pontua.
Para Denise, o conteúdo pode auxiliar pessoas a também se desvencilhar de empresas “tóxicas”. “Às vezes, a pessoa pesquisa salário, benefícios e endereço, mas não pesquisa como as pessoas são tratadas lá dentro. Se um relato fizer alguém pesquisar melhor antes de aceitar uma vaga ou prestar atenção em alguns sinais, já ajudou”, afirma.
“O que a gente está aguentando, normalizando, tendo que engolir só porque tem que pagar conta? Talvez, só talvez, a gente tenha que dar visibilidade para esses problemas. Porque aí eles começam a ter um pouco de vergonha na cara e, quem sabe, a gente tenha uma reforma trabalhista em Campo Grande?”, conclui.
Confira:
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









