O dono de uma loja de perfumes importados, localizada em uma galeria no Centro de Campo Grande, nega todas as acusações feitas pela ex-funcionária que o denunciou por assédio, na quarta-feira (4). Porém, questionados sobre a conduta do proprietário, moradores e trabalhadores da região afirmam que já ouviram relatos semelhantes.
“Nunca tive contato direto com ele, mas já ouvi que ele é um patrão ruim, que ele não respeita os funcionários. Ele exige muitas regras, mas ouvi que ele passa dos limites com essas regras excessivas”, relatou uma testemunha ao Jornal Midiamax.
Outra testemunha afirmou que as funcionárias da loja usam roupas excessivamente curtas para vender os perfumes, quando ficam na Rua 14 de Julho. Além disso, disse que já presenciou o proprietário ofender verbalmente as garotas. “Já vi ele destratando, mandando tomar no c*, calar a boca, chamando de ‘vaca’”.
O relato continua. “Ele é muito machista, já forçou intimidade, totalmente antiprofissional. Para ele, mulheres são objetos”. A grosseria se estenderia até os clientes. “Ele desacata até cliente. Já vi várias pessoas irem embora, falando que iam denunciá-lo porque ele é golpista.”
Uma garota que disse já ter trabalhado na loja contou nunca ter visto o patrão andar sem roupas dentro do estabelecimento, mas relatou grosseria do homem na maneira de lidar com as pessoas. “Ele não serve nem para ser vendedor, porque ele é muito arrogante, não trata as pessoas bem.”
Versão do patrão
Uma das denúncias da ex-funcionária é de que o patrão gritou com ela durante atendimento a um cliente. Sobre a situação, o homem afirma que apenas explicou à funcionária qual seria a melhor forma de realizar o atendimento.
“Explicou […] que ela deveria perguntar […] qual flagrância ela gosta, e qual tipo de perfume ela gostaria, se seria um perfume para dia ou para noite, e sugeriu a ela que ele iria atender a cliente, e ela ficasse olhando, para ver como deveria ser o atendimento, e ele disse isso no sentido de ajudar ela, mas ela não gostou e foi embora da loja”, justificou o dono da loja à polícia, conforme boletim de ocorrência.
O empresário também nega ter mandado a vendedora “calar a boca”. Outras supostas ex-funcionárias se juntaram à iniciativa da colega e fizeram acusações semelhantes em redes sociais. Uma jovem funcionária afirmou que o patrão costumava aparecer, no período da manhã, só de cueca na loja, além de fazer ‘brincadeiras’ constrangedoras com as vendedoras.
O homem, que mora em cima da loja, reconhece que desce para o banheiro sem camisa e de short, mas nunca apenas com a roupa de baixo. “Não tem banheiro lá em cima, somente o compartilhado. Eu acordo e coloco o short. Eu estou sem camisa, tá? Mas eu coloco o short. Andar na frente das pessoas de cueca é inaceitável, não tem isso.”
Questionado sobre por que não veste também uma camiseta para circular entre as funcionárias, ele diz que nem sempre tem a roupa adequada no quarto. “Minhas funcionárias são minhas filhas. Eu levo elas para parque aquático, a gente tem atividade. Eu não estou, tipo, abusando. Às vezes, a minha camisa está lá embaixo e eu estou lá em cima.”
Funcionárias saem em defesa
Duas funcionárias da loja de perfumes importados saíram em defesa do patrão e disseram que o relato da antiga colega é mentiroso. Em depoimento gravado e enviado ao Jornal Midiamax nesta quinta-feira (5) pelo proprietário da loja, as duas vendedoras — que trabalharam com a ex-funcionária — dizem que a versão do patrão é a verdadeira.
“Ela só ficava no celular, não focava no trabalho, só fazia TikTok e enrolava no banheiro. Também ficava puxando o saco do patrão, chamando ele para ir à academia, dando moral para ele, e ele sempre cortando”, afirma uma das garotas sobre a ex-funcionária.
Já a outra funcionária, que trabalha no local há dois meses, disse que leu o boletim de ocorrência e afirmou que “tudo que ele disse na ocorrência é verdade, não tem nada que ele esteja mentindo”.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








