As recentes apreensões de mais de 4.000 pares de calçados falsificados em Campo Grande revelaram uma mudança na rota da pirataria em Mato Grosso do Sul. Ao contrário do que muitos imaginam, o abastecimento das lojas de falsificados que funcionam no Centro e nos bairros não tem como origem a fronteira com o Paraguai. O verdadeiro motor do mercado ilegal são fábricas clandestinas instaladas no próprio território brasileiro.
Investigações preliminares da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo) apontam que os produtos são fabricados em uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes no interior do Estado de Minas Gerais.
O município possui sua economia quase inteiramente voltada para abastecer confecções e galpões clandestinos que imitam as marcas mais famosas e tradicionais do mercado.
Custo baixo e lucro de 100%
A prática do crime compensa financeiramente para os lojistas de Campo Grande devido ao baixo custo de compra e à sonegação fiscal. Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, cada par de réplicas de tênis chega para o comerciante local por um valor médio de R$ 28. Nas prateleiras de Campo Grande, esses mesmos produtos são revendidos ao consumidor por preços que variam entre R$ 80 e R$ 100.
Como os calçados chegam muito baratos e o setor não recolhe nenhum tipo de imposto para o fisco, o lucro líquido dos empresários ultrapassa os 100%.
Essa margem de ganho limpo é o principal motivo para manter as lojas ativas, mesmo após sucessivas batidas policiais e perdas de estoque.
Prejuízo para marcas
Segundo o titular da Decon, delegado Wilton Vilas Boas, as operações na cidade foram desencadeadas após pedidos das próprias empresas das marcas originais. Além de negligenciar os cofres públicos por deixar de recolher tributos, o comércio ilegal atrapalha diretamente a venda dos calçados originais por meio de uma concorrência desleal.

A polícia também alerta os consumidores sobre os riscos de trocar o preço pela qualidade. Enquanto as marcas tradicionais investem em tecnologia, as réplicas produzidas nas fábricas do interior mineiro são de qualidade muito inferior.
Embora sejam visualmente parecidas, a falta de estrutura técnica nos tênis piratas pode causar sérios danos à saúde do comprador, principalmente lesões ortopédicas.
Monitoramento
A Decon mantém a investigação aberta com foco em descobrir como funciona exatamente o transporte utilizado para trazer as mercadorias de Minas Gerais até as lojas de Campo Grande.
Como a fabricação ocorre em outro estado, a delegacia especializada informou que vai encaminhar um expediente oficial para que a polícia mineira também investigue as fábricas clandestinas na origem.
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(Revisão: Nichole Munaro)








