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Polícia

Gaeco mira policiais penais por entrada de drogas e celulares na PED

Operação também fez diligências na casa de uma advogada
Lívia Bezerra -
Gaeco mira policiais penais por entrada de drogas e celulares na PED
Equipe do Gaeco na Penitenciária Estadual de Dourados. (Reprodução, Gaeco/MPMS)

Policiais penais que participavam de um esquema criminoso para facilitar a entrada de ilícitos na PED (Penitenciária Estadual de Dourados), a 225 quilômetros de , são alvos da Operação Colete de Troia, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) nesta quarta-feira (21).

A operação cumpre dez mandados de busca e apreensão em Dourados, , e Paranavaí, no Paraná, além de diligências na casa de uma advogada. Policiais militares do Batalhão de Choque, juntamente com o Cope (Comando de Operações Penitenciárias), Gerência de Inteligência Penitenciária e Corregedoria da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e Gaeco do Paraná dão apoio ao cumprimento dos mandados.

Um representante da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul) acompanhou as diligências na casa da advogada.

Esquema criminoso

As investigações, iniciadas em meados de 2024, revelaram a participação de policiais penais em um esquema voltado para a inserção de drogas, aparelhos celulares e outros materiais ilícitos nas dependências da PED.

Os policiais usariam de suas funções públicas para, em total subversão de seus deveres funcionais, atuar em conluio com presidiários e outros particulares. A intenção seria inserir ou facilitar a entrada de produtos ilícitos na penitenciária, inclusive com o uso de drones. Posteriormente, os produtos seriam distribuídos, vendidos ou consumidos nas dependências internas da Penitenciária Estadual de Dourados.

O que diz a Agepen?

Diante da operação que investiga o envolvimento de policiais penais no esquema criminoso, o Jornal Midiamax acionou a Agepen e foi informado de que o cumprimento dos mandados está sendo acompanhado pela Corregedoria-Geral e, paralelamente, a Polícia Penal faz vistorias nas celas.

A agência também afirmou que atua de forma integrada com o Gaeco e demais órgãos de segurança e investigação para enfrentamento da corrupção e de materiais ilícitos no sistema prisional. Confira o posicionamento da Agepen na íntegra:

“A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Polícia Penal de Mato Grosso do Sul atuam de forma integrada com o Gaeco e demais órgãos de segurança e investigação no enfrentamento à corrupção e à entrada de materiais ilícitos no sistema prisional. A instituição mantém ações de inteligência, fiscalização e apuração de possíveis irregularidades, com a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis diante de fatos comprovados.

A Corregedoria-Geral da Agepen acompanha a Operação Colete de Troia, deflagrada pelo Gaeco, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em residências. Paralelamente, a Polícia Penal realiza vistorias nas celas da Penitenciária Estadual de Dourados (PED), com equipes da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário (GISP) e do Comando de Operações Penitenciárias (Cope), em apoio às ações relacionadas à operação.

A Agepen ressalta que eventuais condutas individuais sob investigação não representam o trabalho da Polícia Penal como um todo, desenvolvido diariamente por servidores comprometidos com a legalidade, a disciplina e a segurança pública. A instituição não compactua com desvios de conduta e reafirma que situações dessa natureza devem ser rigorosamente apuradas, com a devida responsabilização dos envolvidos, assegurados o devido processo legal.”

Colete de Troia

De acordo com o MPMS, o nome da operação foi escolhido em alusão à narrativa grega do cavalo de Troia, consolidada na literatura clássica de Homero e de Virgílio.

“Assim como a estrutura de madeira serviu para ocultar os soldados gregos que abriram os portões da cidade inimiga por dentro, o “colete” e a confiança inerentes ao cargo de policial penal foram instrumentalizados como dissimulação. O que deveria ser o escudo de proteção da sociedade transformou-se na principal ferramenta de infiltração do crime organizado”, explica o órgão.

Dinheiro apreendido durante a Operação Colete de Troia. (Reprodução, Gaeco/MPMS)
(Gaeco/MPMS)
(Gaeco/MPMS)
Penitenciária Estadual de Dourados. (Reprodução, Gaeco/MPMS)

Ex-diretor da PED acusado de ‘criar’ organização criminosa

Em setembro deste ano, o Jornal Midiamax noticiou que o MPMS denunciou 11 pessoas investigadas no âmbito da Operação Sátrapa, deflagrada pela Ficco-MS (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), em 13 de fevereiro de 2025.

Parte dos denunciados, incluindo o ex-diretor da PED Rangel Schveiger, é apontada por desenvolver uma organização criminosa dentro da penitenciária.

As investigações se iniciaram em 2024, após informações de que um policial penal estaria ingressando na PED com drogas e aparelhos celulares. Em julho daquele ano, ele chegou a ser preso em flagrante transportando cerca de 1,5 quilo de entorpecentes para dentro do presídio.

*Reportagem atualizada às 9h30 para acréscimo de posicionamento.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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