Sérgio Luiz de Freitas Filho, vulgo “Mijão” ou “Xixi”, apontado como um dos principais chefes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em liberdade, é réu em Mato Grosso do Sul por tráfico de drogas e também o principal suspeito de articular a tentativa de assassinato do promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, de Campinas (SP). Nesta terça-feira (9), uma nova operação sobre o caso foi deflagrada e contabilizou três prisões.
No ano passado, o MPSP (Ministério Público de São Paulo) deflagrou a Operação Pronto Resposta, com o objetivo de apurar a atuação da organização criminosa ligada ao PCC que, entre outros crimes, estaria planejando a morte do promotor de Justiça.
Já em outubro daquele ano, foi deflagrada a Operação Off White, realizada para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil. Entre eles estaria “Mijão” — réu em MS por tráfico de drogas, na cidade de Ivinhema.
Nesta terça-feira (9), foi deflagrada a Operação Infiltrados, que realizou a prisão do ex-chefe dos investigadores da Dise (Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes) de Campinas e de um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo.
Inclusive, o Gaeco descobriu que, uma semana antes da deflagração da operação, um dos principais acusados — responsável direto pela execução do plano — teria se reunido com o ex-chefe de investigadores da Dise. Foram localizados vídeos que mostram o encontro realizado entre os investigados, justamente às vésperas da deflagração da operação que frustraria o suposto atentado contra o membro do Ministério Público.
Por outro lado, foi descoberto que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão, praticada por um estagiário do próprio Ministério Público, que, ao que tudo indica, meses antes, teria propositadamente se infiltrado em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas para fins criminosos.
Nesta terça, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, além das prisões temporárias em Campinas (SP) e Cardoso (SP).

Na lista vermelha
“Mijão”, apontado como um dos principais suspeitos na tentativa frustrada de matar o promotor, está com o nome incluído na lista vermelha da Interpol. Ele vive há mais de 10 anos em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, segundo o G1 de Campinas e Região. Por lá, mantém uma rotina de luxo em condomínios fechados, protegidos por muros altos e segurança reforçada.
Réu em Mato Grosso do Sul por tráfico de drogas desde 2023, “Mijão” é um dos principais nomes do PCC em liberdade; assim, faz parte da sintonia final da facção — ou seja, da ala responsável por tomar as principais decisões. Segundo o MPSP, o réu é responsável pela compra, venda e autorização de pagamentos de drogas para abastecer mercados dominados pelo grupo, tendo a confiança dos principais líderes da facção.
Réu em Mato Grosso do Sul
Em abril de 2023, “Mijão” foi condenado a 8 anos e 2 meses de prisão por tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul. Na época, o Ministério Público Federal o apontou como o dono de 58 quilos de cocaína apreendidos em 2013, na Base Operacional da Polícia Rodoviária em Amandina, município de Ivinhema.
As investigações da época apontaram que o criminoso negociou o entorpecente com um fornecedor — também preso e denunciado pelo crime — e iria abastecer os pontos de venda de drogas do PCC no estado paulista. Conforme o Gaeco de Presidente Prudente, “Mijão” é um dos maiores negociadores de cocaína com os fornecedores do PCC.
O criminoso foi um dos 19 integrantes do PCC investigados durante a Operação Shark (“Tubarão”, em inglês), deflagrada pelo MPSP e pela PM (Polícia Militar), em setembro de 2020, para desarticular os traficantes de drogas ligados à organização.
A quadrilha havia movimentado R$ 1 bilhão com a venda de cocaína, entre janeiro de 2018 e julho de 2019, apontam as planilhas apreendidas por promotores de Justiça. A Justiça de SP aceitou a denúncia contra os acusados, e os processos foram desmembrados. No entanto, em junho do ano passado, Mijão e mais três réus foram absolvidos das acusações. Outros quatro denunciados haviam sido absolvidos em janeiro do mesmo ano.

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