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Polícia

Com PCC e CV na lista de terrorismo dos EUA, fronteira de MS entra no radar da CIA

Entenda como medida irá afetar Mato Grosso do Sul
Gabriel Maymone -
pcc cv
PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) – ilustrativa. (Montagem: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax e Wikimedia Commons)

A decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas afeta o enfrentamento a esses grupos, que dominam o país e atuam fortemente na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai.

Os Estados Unidos informaram que o PCC e o CV são “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”. Parte da justificativa para a classificação como organizações terroristas é que a atuação destes grupos ultrapassa as fronteiras do Brasil.

A medida abre várias frentes em que os norte-americanos poderão atuar em todo o país, inclusive em Mato Grosso do Sul, nas áreas financeira, jurídica e militar.

Um dos principais instrumentos é para a chamada asfixia financeira. Isso porque qualquer banco que utilize o sistema financeiro dos EUA — a maioria das instituições que atuam no Brasil — fica proibido de movimentar dinheiro de pessoas ligadas a essas facções.

Para se ter uma ideia da movimentação financeira desses dois grupos, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que, somente no ano de 2022, as facções brasileiras movimentaram cerca de R$ 146 bilhões.

Um dos pontos de preocupação do governo brasileiro é uma possível intervenção militar, assim como ocorreu na Venezuela. O governo dos EUA já se utilizou dessa justificativa de terrorismo para bombardear embarcações no Caribe, por exemplo.

No entanto, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil dizem ser improvável ato semelhante e que a frente financeira é a mais plausível neste momento.

Atualmente, o Brasil conta com apoio do FBI — especialmente agências antidrogas — no combate a essas organizações. Isso deixaria de existir, já que o assunto passaria para o controle da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos.

Então, o nível de sigilo das informações levantadas pelas autoridades norte-americanas aumenta muito, alterando a forma como esses dados são compartilhados com as forças de segurança brasileiras.

MS fica sob vigilância da CIA

A entrada oficialmente da CIA no combate ao PCC e ao CV muda o jogo. Isso porque o trabalho conduzido antes, pelo FBI, focava em crimes específicos como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Agora, a abordagem muda para o assunto de segurança nacional para os EUA. Assim, a CIA pode conduzir operações de espionagem sigilosas, com interceptações cibernéticas por satélite e infiltrações que não precisam passar por processo judicial público.

Conhecido por ser ‘porta de entrada’ de armas e drogas no Brasil através de seus 1,5 mil km de fronteira seca com a Bolívia e o Paraguai, Mato Grosso do Sul pode sofrer impactos com a decisão. As duas facções brasileiras disputam o comando da fronteira em MS.

O impacto inicial pode acontecer já na região de , mais especificamente ‘do outro lado da rua’, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero.

Isso porque, recentemente, o Paraguai autorizou a presença de militares e agentes de inteligência dos EUA em seu território. Aliás, a medida já sinalizava essa possível decisão de Trump.

O próprio Paraguai já havia classificado PCC e CV como organizações terroristas.

Encontro de autoridades paraguaias que classificou facções brasileiras como terroristas. (Divulgação/Presidência do Paraguai)

Tudo isso pode facilitar a atuação norte-americana na fronteira. As próprias forças de segurança paraguaia terão mais recursos para caçar lideranças de facções na região.

A faixa de fronteira de MS pode ser foco de um forte sistema de ‘vigilância invisível’ por parte dos EUA, que dispõem de satélites militares e drones de alta vigilância voltados para contraterrorismo.

Pistas de pouso clandestinas, como as usadas por Gerson Palermo para desembarcar cocaína em solo sul-mato-grossense, passarão por uma varredura pelas Forças Armadas dos EUA.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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