Moradores do Bairro Novo Samambaia devem receber nos próximos meses investimentos em obras de asfaltamento, ampliação da unidade de saúde, além de reformas e melhorias nas casas onde moram. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira (02) durante a inauguração do Posto Territorial e deve beneficiar 463 famílias de Campo Grande. Ao todo, R$ 32 milhões estão sendo investidos na região por meio do Programa Periferia Viva – Urbanização de Favelas, do Ministério das Cidades.
O programa é uma parceria entre o Governo Federal, por meio do Novo PAC, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da AGEHAB e da AGESUL, Prefeitura de Campo Grande e Caixa Econômica Federal. O atendimento da população será realizado em uma sala no bairro Los Angeles. A iniciativa marca um passo importante para famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social e aguardam há anos por melhorias estruturais e habitacionais.
O Posto Territorial será um local de acolhimento, escuta e atendimento individualizado às famílias da região. Muitas delas, de acordo com o Governo do Estado, vivem desde 2016 na antiga ocupação do Clube de Campo Samambaia e enfrentam diariamente problemas estruturais, falta de infraestrutura e condições precárias de moradia.
Na unidade, os moradores poderão apresentar as principais necessidades, permitindo que as melhorias sejam planejadas conforme a realidade de cada residência. O investimento para essas necessidades é de R$ 45 mil por casa, entre as demandas previstas estão reformas em banheiros, adequações em telhados, melhorias estruturais, drenagem e pavimentação das ruas.
Ao todo, de acordo com o secretário em exercício da Seilog (Secretaria de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul) Luiz Octávio Chiarello, o investimento para o a região é de R$ 32 milhões, provenientes de um empréstimo feito por meio do Governo Federal, que irá custear a pavimentação asfáltica de todo o Bairro Novo Samambaia, ampliação da UBS Jardim Macaúba, a construção de um centro comunitário, além de melhoria nas casas construídas pelos próprios moradores.
“Desses R$ 32 milhões, R$ 8 milhões serão só para pavimentação asfáltica e drenagem do Bairro Novo Samambaia e temos também R$ 2,5 milhões para a UPA do Samambaia, que recebe aplicação e reforma. No asfaltamento são mais ou menos 8 quarteirões, ou seja, todo o bairro Samambaia, que já foi licitado. Assinamos hoje a ordem de serviço e a empresa já começa a mobilização e até semana que vem a empresa já está com maquinário no canteiro de obras trabalhando”, explica o secretário.
Segundo Maria do Carmo Avesani Lopez, presidente da Agehab/MS (Agência de Habitação Popular do Estado de Mato Grosso do Sul), o projeto não é pensado e não vai olhar somente para a infraestrutura da região. Para ela, as obras não trazem apenas uma melhoria estrutural para o bairro, mas também uma maior qualidade de vida a quem mora ali.
“Vai ser menos poeira e para aquelas famílias que têm filho com alergia, vai ter uma melhor qualidade de vida do ponto de vista de infraestrutura, porque as famílias aqui foram guerreiras, fizeram as próprias casas. Quando a gente olha e o morador fala ‘eu tenho uma casa’, é um orgulho, mas muitas vezes ainda precisa melhorar um banheiro sem reboco em que o tijolo fica úmido, o que pode trazer problema de saúde para muitas famílias. O tamanho da janela pode não ser o adequado e isso traz problema pulmonar. Outra questão é o saneamento, hoje o bairro todo está com rede de esgoto, mas grande parte das famílias ainda está com fossa e sumidouro que não são ligados à rede de esgoto, então a ideia desse projeto é melhorar a qualidade de vida”, diz a presidente.
Moradora do bairro há quatro anos, Paula Gonçalves conta que se mudou para a região para morar próximo ao filho, mas que vê os investimentos como uma forma de ajudar a quem vive ali e realmente precisa. “Vim para cá morar próxima do meu filho, minha casa precisa fazer pouca coisa. Eu achei esse programa do governo interessante, porque é uma ajuda pra quem precisa.”
Pensando nos investimentos para as reformas, o ruralista Celso Vilasanti, diz que pensa em “arrumar” um banheiro que tem em casa, além de fazer a troca de telhas quebradas durante uma ventania. “Eu tenho que arrumar meu banheiro e o telhado também, teve aquela época que veio uma ventania, arrancou todo o meu telhado e aí tem umas telhas que estão quebradas. Eu acho que vai ser maravilhoso se eles cumprirem o que estão prometendo. Tem tanta coisa que precisa, porta, banheiro, não tem azulejo, não tem forro.
Ministério de Portas abertas
Ainda no local, o Analista de Infraestrutura da Secretaria Nacional das Periferias, do Ministério das Cidades, Samuel Cardoso, explicou que o Posto Territorial é uma porta de entrada das reivindicações da população ao Planalto e aos Ministérios em Brasília.
“É inédito tudo o que está acontecendo aqui. O Periferia Viva nasce com o renascimento do Ministério das Cidades, com novas políticas públicas e com uma condição muito especial, que é termos aqui um elo entre a comunidade e a Casa Civil. As reivindicações saem daqui e vão para uma sala ao lado da sala do Presidente. De lá, essas reivindicações vão ser ouvidas por 17 ministérios, e futuramente devem reverberar em investimentos de outros ministérios para essa comunidade.”
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