A maioria dos vereadores de Campo Grande apoia a recomendação da comissão especial da prefeitura pela intervenção no transporte coletivo. Para o Legislativo, é mais importante ainda colocar um fim no contrato com o Consórcio Guaicurus.
Para Flávio Cabo Almi (PSDB), é preciso rever a concessão imediatamente. “Eu acho que tem que abrir o leque; tem que abrir para novas empresas. Eu acho que esse Consórcio já está ultrapassado. Temos que mudar, se for o caso de deixar mais um tempo eles para estudar o nosso transporte público, que seja. Mudar tem que mudar. O que está posto aí não serve mais”, avaliou.
Membro da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte, Luiza Ribeiro (PT) espera que a prefeita Adriane Lopes (PP) confirme a decisão da comissão e nomeie um interventor.
“Achamos que esse foi o caminho natural e a prefeita vai determinar a intervenção e nomear o interventor que a gente espera que tenha competência e responsabilidade para tocar uma questão tão séria como essa”, pontuou.
Para o primeiro secretário da Mesa Diretora, Carlão (PSB), a medida pode forçar o município a revisar o valor da tarifa por conta do alegado déficit nas contas da concessionária.
“Eu sou a favor de que, do jeito que está hoje, tem que mudar. Ou intervenção ou entrar num acordo com tarifa ou quebra de contrato, mas, do jeito que está, não pode ficar. O transporte está em péssima qualidade, e a prefeitura tem um compromisso com o transporte coletivo. O transporte é público; não é só obrigação dos empresários; é obrigação também da prefeitura. Eles têm que realmente fazer isso pensando no povo e na cidade”, comentou.
Também membro da CPI, Junior Coringa (MDB) avaliou que a maioria da população também espera que a prefeitura assuma as rédeas do serviço.
“Eu creio que toda a população de Campo Grande é a favor da intervenção. A intervenção tem que ser rápida, para que a gente possa fazer o mais rápido possível um novo chamamento público e escolher uma nova empresa para poder mudar o transporte público em Campo Grande. Então eu sou extremamente a favor”, opinou.
Presidente da CPI, Dr. Lívio (União) demonstrou preocupação com a intervenção, levantando a hipótese de que o Consórcio pode ir à Justiça contra a medida.
“Agora a gente precisa só da agilidade pra que isso venha a acontecer. E a gente acredita que isso não vai simplesmente acontecer de maneira pacífica e entende que o Consórcio vai agir judicialmente também para tentar impedir esse processo. Eu espero um cenário um pouco difícil nessas próximas semanas e para isso eu cobro agilidade da Prefeitura para já fazer a intervenção”, observou.
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Comissão decide pela intervenção e ‘fecha o cerco’ ao Consórcio Guaicurus
O grupo de trabalho criado pela prefeitura de Campo Grande para avaliar a necessidade de intervir no contrato do Consórcio Guaicurus — que administra o serviço de transporte coletivo — recomendou à prefeita Adriane Lopes (PP) que inicie o processo de intervenção e pediu a nomeação de um interventor.
Conforme relatório, finalizado em 8 de junho de 2026, a comissão levou em conta, dentre outros motivos, as mais de 15 mil ocorrências por descumprimento de horário e por omissões de viagens, conforme registros da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).
No documento de 31 páginas, a comissão criada em março também elenca como agravante o índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular. Segundo o apontado, os dados evidenciaram o agravamento da situação, passando de 5,4% em 2020 a 18,6% em 2025.
Com isso, a Comissão Especial recomenda à Prefeitura de Campo Grande a intervenção na concessão do Consórcio Guaicurus mediante a nomeação de um interventor, por meio de um decreto.
Entretanto, pontua que a medida deve ter “caráter temporário, investigatório e fiscalizatório” e, se declarada, deverá ser instaurado o procedimento administrativo em até 30 dias.
Procedimento administrativo antes de intervenção
Em 6 de março de 2026, a Prefeitura de Campo Grande criou grupo de trabalho para avaliar a situação do Consórcio Guaicurus nos dois meses seguintes.
O grupo é encabeçado pela procuradora-geral do Município, Cecília Rizkallah, que ainda é composto por Paulo da Silva (diretor-presidente da Agereg), Andrea Alves Ferreira Rocha (secretária municipal de Administração), Alexandre Souza Moreira (servidor da Agetran), Luciano Assis Silva (servidor da Agereg), Arthur Leonardo dos Santos Araújo (procurador municipal) e Edmir Fonseca Rodrigues (procurador municipal).
No dia 6 de maio, a comissão teve os trabalhos prorrogados por mais 30 dias por conta do atraso na análise técnica pela Agetran e pela Agereg, devido ao volume e à complexidade dos documentos avaliados. A prefeitura já havia relatado à Justiça que o Consórcio estaria dificultando o acesso aos sistemas internos.
Intervenção no Consórcio Guaicurus
Em 17 de dezembro de 2025, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou a intervenção no Consórcio Guaicurus. A ação popular foi proposta pelo candidato à Prefeitura de Campo Grande Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, conhecido como Luso Queiroz. Em 2024, ele concorreu ao cargo pelo Psol, mas, em 2025, migrou para o PT.
O autor alegou uma série de itens que não foram cumpridos no contrato e motivariam a intervenção, como a frota sucateada, falta de manutenção preventiva e corretiva e inexistência de seguros obrigatórios. Ainda foram citados o possível desvio de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês, sem justificativa, e a alienação de imóvel da Viação Cidade Morena por R$ 14.405.170,30, sem destinação transparente ou reinvestimento no sistema.
Uma intervenção no contrato já foi discutida em 2025 após a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Consórcio Guaicurus, aberta pela Câmara dos Vereadores de Campo Grande, a qual identificou uma série de irregularidades no cumprimento do contrato. Três meses após a apresentação do relatório final, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou um inquérito civil para apurar as falhas identificadas pela CPI.
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