Após a comissão especial da Prefeitura decidir pela intervenção e ‘fechar o cerco’ ao contrato de concessão do transporte coletivo de Campo Grande, o Consórcio Guaicurus reconheceu as falhas apontadas na auditoria e insistiu na tese de que a solução seria mais dinheiro público.
Em nota oficial disparada após o relatório final da intervenção, o grupo que detém contrato bilionário volta a defender a tarifa técnica de R$ 7,79 — que é alvo de disputa na Justiça. “O transporte público de Campo Grande sofre com um descompasso estrutural crônico entre a tarifa técnica (o custo real do serviço) e a tarifa pública paga na catraca, agravado pela ausência de subsídios integrais para o custeio de gratuidades garantidas por lei”, diz, em trecho da nota.
Vale ressaltar que a concessionária deve receber cerca de R$ 70 milhões da Prefeitura de Campo Grande somente neste ano.
O relatório final da comissão recomendou a intervenção na concessão do Consórcio Guaicurus mediante a nomeação de um interventor para “assegurar a continuidade, a regularidade, a segurança e a adequação da prestação do serviço público essencial”, diz o documento.
A prefeita Adriane Lopes (PP) disse, nesta terça-feira (9), que a decisão sobre a intervenção será anunciada até sexta-feira.
Em declarações recentes, a prefeita de Campo Grande criticou o Consórcio Guaicurus, principalmente em relação à frota sucateada: “Desde que eu assumi a gestão, eu estou cobrando aquilo que é o objeto do contrato. Qual é o objeto do contrato? A gente faz a nossa parte, o município, e a empresa faz a parte dela. Hoje nós estamos chegando a 235 ônibus para serem trocados”, disse.
Autuações e ônibus velhos

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Dois pontos apontados como críticos no relatório que pediu pela intervenção do Consórcio Guaicurus destacaram as mais de 15 mil ocorrências de atrasos nas linhas e o alto índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular, que passaram de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025.
Inclusive, o Jornal Midiamax revelou que, em todo o ano passado, foram 81 ônibus interditados pelo município por irregularidades.
Porém, a concessionária ‘joga a culpa’ na crise financeira por chegar a tais índices: “O Consórcio recebe as conclusões do relatório com serenidade, mas ressalta que os indicadores apontados pela comissão — tais como o volume de autuações, a idade média da frota e as dificuldades operacionais — não são a causa da crise do sistema, mas sim o reflexo direto e inevitável de um severo sufocamento econômico-financeiro que a concessionária vem enfrentando nos últimos anos”.
Para os empresários do ônibus, o alto número de autuações se dá pelo fato de a operação ser “gigantesca” e afirma que os atrasos representam percentual insignificativo dentro de todo o serviço prestado. “Quando comparado o total de notificações com o volume massivo de viagens realizadas no período de 2021 a 2025, o sistema apresenta um índice de eficiência de 99,99% no cumprimento de suas metas operacionais.”
Ao reforçar que precisa de mais subsídios, o Consórcio Guaicurus diz que “em a devida recomposição e o reequilíbrio econômico do contrato, torna-se inviável sustentar o ritmo de investimentos e a renovação da frota exigidos pelo contrato”.
Mais recursos
Alvo de reclamações diárias de passageiros, o Consórcio Guaicurus diz que a alternativa à intervenção seria mais dinheiro público na conta da concessionária.
“Como alternativa jurídica e administrativa mais segura para a cidade e para os passageiros, o Consórcio Guaicurus formalizou junto ao Município uma proposta de solução negociada e um plano de modernização abrangente. O objetivo é estruturar um Termo de Ajuste que viabilize a injeção de recursos necessários para a renovação imediata da frota, revisão das linhas e otimização dos tempos de viagem, sanando as falhas apontadas de forma célere”, diz.
Por fim, o Consórcio pede ‘bom senso’: “O Consórcio Guaicurus reitera sua total disposição para manter um diálogo transparente e construtivo com o Poder Concedente e as instâncias de controle, confiando que o bom senso técnico prevalecerá para garantir um transporte público sustentável, seguro e digno para os cidadãos de Campo Grande”.
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(Revisão: Nichole Munaro)







