Butantan-DV x QDenga: entenda as diferenças entre as vacinas contra dengue disponíveis no Brasil Pular para o conteúdo
Saúde

Butantan-DV x QDenga: entenda as diferenças entre as vacinas contra dengue disponíveis no Brasil

Ministério da Saúde anunciou a suspensão da vacina Butantan-DV nesta segunda-feira (8)
Idaicy Solano -
Vacina contra a dengue. (Foto: Arquivo Jornal Midiamax e Reprodução)

Atualmente, existem no Brasil duas vacinas contra a dengue autorizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sendo elas: a Butantan-DV, produzida pelo centro de pesquisa biomédica brasileiro; e a QDenga, produzida pela Takeda, biofarmacêutica japonesa.

A suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (8) diz respeito apenas à vacina produzida pelo Butantan, destinada, até então, à imunização de profissionais de saúde da APS (Atenção Primária à Saúde), e não inclui o imunizante QDenga, utilizado na imunização de pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). 

Mato Grosso do Sul recebeu 7,8 mil doses da vacina do Instituto Butantan contra a dengue em fevereiro de 2026. Inicialmente, a imunização estava restrita aos profissionais da APS, grupo que começou a ser vacinado em fevereiro deste ano, conforme orientação do Ministério da Saúde. Em maio, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) ampliou o público-alvo para todos os trabalhadores da saúde de Mato Grosso do Sul.

Diferenças entre a QDenga e a Butantan-DV

A QDenga, vacina produzida pela marca japonesa, é indicada para pessoas com idade entre quatro e 60 anos, tanto para quem já teve a doença quanto para quem nunca a teve. O esquema de vacinação conta com duas doses, com intervalo de três meses entre cada uma delas.

Já o imunizante suspenso pelo Ministério da Saúde, o Butantan-DV, é aplicado em dose única, por via subcutânea, e é indicado para pessoas de 15 a 59 anos, 11 meses e 29 dias. O imunizante é composto por quatro vírus enfraquecidos e atua ao induzir a produção de anticorpos pelo organismo sem causar a doença.

Até então, o Butantan-DV está sendo utilizado apenas na imunização de profissionais de saúde da Atenção Primária do SUS (Sistema Único de Saúde), incluindo enfermeiros, médicos e agentes comunitários de saúde das Unidades Básicas de Saúde. Profissionais de Mato Grosso do Sul receberam o esquema vacinal.

O imunizante foi disponibilizado de forma ampliada para o público de 15 a 49 anos apenas nas cidades de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).

Ambos os imunizantes atuam contra quatro sorotipos existentes do vírus da dengue, sendo eles o DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

Imunizante suspenso

Nesta segunda-feira (8), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão da Butantan-DV, vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan, após serem identificadas 42 reações severas em pessoas que receberam a vacina. Além disso, duas mortes seguem sob investigação, para checar se há relação com o imunizante.

Segundo a pasta, as reações correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio, e ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação com a vacina. O ministro da Saúde, Alexandre Padrilha, ressaltou ainda que não é possível afirmar que esses eventos foram causados pela vacina. No entanto, a situação apresenta um sinal de alerta e será investigada por um comitê de especialistas.

“Essa descontinuidade tem um objetivo, que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, informou Padilha, em coletiva de imprensa.

Entre os sintomas apresentados pelos pacientes que receberam o imunizante, estão:

  • Febre;
  • Mialgia;
  • Náuseas;
  • Comprometimento neurológico (meningoencefalite);
  • Choque refratário.

Para quem já recebeu a vacina, a orientação é observar o estado de saúde por 21 dias após a aplicação. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, deve-se procurar atendimento médico imediatamente. 

Vigilância

Conforme nota do Ministério da Saúde, a identificação de sinais de alerta após a introdução de uma vacina na rede de saúde segue protocolos internacionais de farmacovigilância. A pasta ressalta que, antes de ser incorporado no SUS, o imunizante suspenso passou por todas as etapas de avaliação exigidas pelos órgãos reguladores, com resultados que demonstraram sua segurança e eficácia. Confira abaixo trecho da nota:

 “A decisão de suspender temporariamente a aplicação do imunizante foi tomada após discussão com o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (Ctai), instâncias compostas por representantes do Ministério da Saúde, da Anvisa e especialistas. 

Cabe destacar que a medida não invalida a eficácia da vacina nem altera as evidências de proteção observadas até o momento. Quem já foi imunizado permanece protegido e a vigilância epidemiológica continua a acompanhar a população vacinada.  

A partir de agora, as equipes de saúde irão reforçar a vigilância de pacientes vacinados que apresentem sintomas de dengue, com atenção especial para o reconhecimento de sinais de alarme e de gravidade. Também deverão intensificar a notificação de casos, acionar a vigilância local e garantir o encaminhamento imediato para atendimento clínico quando necessário.”

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(Revisão: Nichole Munaro)

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