O Torre Palace, primeiro hotel de luxo de Brasília, foi implodido na manhã deste domingo (25). Com vista para o Eixo Monumental, o hotel fechou as portas em 2013 e, até hoje, ficou abandonado. Em 2015, o prédio foi invadido por usuários de droga e pessoas em situação de rua.
Jibran El-Had, empresário libanês, inaugurou o hotel em 1973. Em 2020, mesmo abandonado, o edifício foi avaliado em R$ 35 milhões. O valor reflete o passado refinado: o Torre Palace tinha classificação quatro estrelas e, à época da morte de seu dono, deixou um patrimônio de R$ 200 milhões.
O edifício de 14 andares e 140 apartamentos foi abandonado devido a uma briga entre os herdeiros após a morte de El-Had. Sem entrarem em um acordo, a esposa e os seis filhos se desentenderam na partilha dos bens e iniciaram uma disputa judicial.
Dessa forma, com a posse do hotel em disputa, não foi possível restaurar, vender ou demolir o prédio. Abandonado, o Torre Palace ficou à mercê do tempo e dos usuários de drogas.
A demolição
Diversas pessoas acompanharam a detonação, que ocorreu às 10h01 deste domingo. Três edifícios ao redor foram evacuados: Brasília Tower Hotel, LET’S Idea Brasília Hotel e Nobile Suítes Monumental.
Três sinais sonoros anteciparam a explosão, ouvida de longe. Os explosivos foram colocados nos andares mais baixos do prédio, que ruiu em poucos segundos.
Uma enorme nuvem de fumaça sucedeu à queda dos 14 andares do antigo hotel. A população aplaudiu a demolição.
Limbo judicial
Três dos filhos — herdeiros milionários — saíram da sociedade em 2007. Eles acionaram a Justiça para pedir R$ 51 milhões, valor que consideravam sua parte na herança.
Com os proprietários brigando na Justiça, o hotel entrou em decadência e fechou as portas em 2013, para nunca mais voltar à ativa.
Durante os 12 anos de abandono, a população de Brasília se acostumou a passar pelo Eixo Monumental e vislumbrar o que um dia foi o primeiro hotel de luxo da cidade planejada.
Abandono
A fachada do Torre Palace estava, há 12 anos, coberta por pichações, vidros quebrados e, em seu interior, desde 2015 viviam cerca de 150 pessoas do Movimento de Resistência Popular, que reivindicava políticas de moradias no Distrito Federal.
O governo do Distrito Federal já utilizou o Bope para expulsar invasores. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, o prédio era invadido por usuários de drogas e era ponto recorrente de crimes e de tráfico de drogas. Um jovem de 18 anos, que teria ido usar drogas, foi encontrado morto no local, em 2016.
O edifício já havia, inclusive, sido condenado pela Defesa Civil do Distrito Federal. Localizado no Setor Hoteleiro Norte, área nobre da capital federal, o hotel abandonado contrastava com o luxo da região, próxima a pontos turísticos como a Torre de TV, o estádio Mané Garrincha e o Congresso Nacional.
O prédio foi vendido no ano passado, e o terreno será ocupado por um novo hotel. Novos compradores planejam erguer uma construção de 16 andares, que contará com até 250 apartamentos. A previsão é concluir as obras em três anos.
*Com informações de UOL e Agência Brasil.


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(Revisão: Dáfini Lisboa)







