Usuários do transporte coletivo enviaram questionamentos para o Consórcio Guaicurus, nesta terça-feira (2), durante audiência da Comissão de Intervenção em Campo Grande. Panes, segurança nos ônibus e condições trabalhistas foram abordados durante o encontro público.
Thiago Duarte representou um grupo de usuários de transporte coletivo de Campo Grande. Ele perguntou sobre as condições do serviço. “A gente tem muitos relatos em relação às panes que tem nos ônibus”.
Então, questionou o Consórcio: “Qual o planejamento, a garantia sobre a segurança?”. Também questionou sobre as reformas dos terminais e implantação dos novos terminais. Também perguntou sobre os corredores. “Como está o andamento, qual a previsão da conclusão dos corredores?”, disse.
A coordenadora da Comissão, Cecília Rizkallah, afirmou que o processo integra as últimas fases do processo. Após a audiência, disse que as falas integrarão um documento técnico que será entregue para a prefeita Adriane Lopes (PP). “A decisão será dela”, disse Cecília sobre o resultado do processo que pode terminar com a intervenção no transporte coletivo.
Usuária questiona: Dinheiro para quê?
No mesmo sentido, Regina Rangel enviou e-mail para a audiência, questionando os gastos da concessionária. O texto foi lido pela procuradora-geral do Município e coordenadora da comissão, Cecília Rizkallah. “Peguei o 87 e as cordas de puxar para dar sinal quebraram, os botões não funcionavam”, relatou a usuária sobre situação ocorrida em 1º de junho de 2026, última segunda-feira.
Logo, a cliente do Consórcio questionou a qualidade dos ônibus e justificativas dadas pelas empresas, de desequilíbrio econômico. “O que me impressiona é que o consórcio tem apenas 400 ônibus e mais da metade estão ‘velhos’. Dinheiro para contratar advogados eles tem, mas para renovar os ônibus não”, pontuou.
Regina finalizou dizendo que “alguma coisa precisa ser feita com essa concessionária”. As falas irão integrar documento que determinará se haverá intervenção ou não no transporte coletivo de Campo Grande.
Seis por meia dúzia
Usuários também pediram cautela no processo de intervenção. Odílio Cavalcante é professor aposentado de 80 anos e usa o transporte diariamente. “Me movimento pela cidade, de segunda a sexta, o dia todo, de ônibus”, afirmou.
“Usuários que generalizam muito as coisas, mas não é bem assim. Porque eu observo. Uma coisa que precisa é a manutenção”, disse na audiência.
O professor aposentado opinou sobre a possível intervenção, dizendo que não acredita ser a solução. “Não acho que o que vai fazer funcionar é tirar o Consórcio, tem que fazer um acordo. Pode ser que troque seis por meia dúzia”, ponderou.
Bruno Cavalcante pegou o embalo da fala de Odílio e questionou a Comissão: “Falaram que vai trocar seis por meia dúzia, mas pergunto: tem como piorar?”.
Para ele, o “Consórcio colocou o regulamento praticamente de baixo do braço e chegamos onde chegamos”.
O professor e ex-conselheiro municipal de desenvolvimento urbano de CG, Lázaro da Silva, acredita na falência apontada pelo Consórcio Guaicurus. “Estão fazendo milagre e querem abrir uma licitação para outra empresa? Vai ficar deserto, ninguém vai querer essa bomba”, comentou na audiência.
Lázaro disse que é necessário “fazer a meia culpa”. O professor finalizou afirmando que existe “ônibus atrasado, quebrado. Mas o que é pior do que isso? Não ter ônibus para pegar”.

CPI do Consórcio auxilia no processo de intervenção
Vereadores elaboraram um documento sobre o transporte coletivo em Campo Grande, na época da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Consórcio Guaicurus. O texto foi apontado como necessário para análise da Comissão de Intervenção.
Presente no início da audiência, o vereador que participou da CPI do Consórcio Guaicurus, Junior Coringa (MDB), criticou as empresas de ônibus. “Não acredito na capacidade de transporte público, não acredito no Consórcio Guaicurus mais”.
Coringa criticou o termo usado pelos técnicos do Consórcio, de chamar os passageiros de usuários e não clientes. “Está falida, essa empresa que hoje perdeu a metade dos seus clientes, que infelizmente chamam de usuário. Se fossem clientes, teríamos um transporte público de qualidade”, disse o vereador.
Assim como Coringa, Luiza Ribeiro (PT) lembrou da CPI do Consórcio. “Todo aquele trabalho que a Câmara fez foi muito valioso. Trazem elementos que podem ajudar nesse momento (de intervenção)”.
Luiza afirmou que o Governo Federal tem um programa de incentivo para transporte público, e que Campo Grande e Dourados teriam valores liberados. “São 200 ônibus que podem ser trocados, juros baixíssimos de cinco por cento, além de que a Prefeitura e o Consórcio, empresa concessionária, podem fazer esse investimento”, contou a parlamentar.
‘Gota d’água’, alega Consórcio
O diretor de operações do Consórcio Guaicurus, Paulo Vitor Brito de Oliveira, admitiu que o Consórcio sabe dos incentivos. Contudo, disse que as empresas são impedidas de participar.
“A gente não consegue aproveitar desse financiamento, por estar em condições especiais”, afirmou ao defender o desequilíbrio econômico.
Portanto, afirmou que a situação é o ápice de problemas de longa data. “É algo ao longo de toda a história de Campo Grande, hoje a gente está vivendo a gota d’água do copo cheio”, disse.
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