O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli é o segundo magistrado a se declarar impedido em julgamento sobre possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por supostas mensagens trocadas com o dono do Master, Daniel Vorcaro.
A relação do ministro Dias Toffoli com o Tayayá Aqua Resort ganhou destaque público em razão de investigações e reportagens sobre a estrutura societária do empreendimento, que tem como sócios parentes do magistrado. Além disso, a construção do complexo foi financiada pelo Banco Master (antigo Banco Máxima), controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Então, Toffoli reforçou que tomou a mesma atitude em outros julgamentos nas Turmas para “preservar a Corte” e para “a preservação do bom andamento do trabalho”.
“Entendo como me manifestei na Turma pela suspeição, reforço que não por me sentir impedido, mas por suspeição por foro íntimo […] eu declaro minha suspeição para participar desse julgamento”, disse, afirmando que não irá se retirar da sessão como fez o colega, ministro Kássio Nunes Marques.
O que está em julgamento e como a decisão afeta o tribunal
A sessão extraordinária do STF decide se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por diálogos interceptados pela PF (Polícia Federal).
As conversas indicam que Moraes pode ter atuado para favorecer Daniel Vorcaro, que é investigado por fraudes no sistema financeiro nacional.
Com o impedimento autodeclarado por Nunes Marques, ele não profere voto neste processo. Consequentemente, o quórum de votação no plenário do STF é reduzido em um ministro para a decisão sobre a abertura ou não de investigação contra Moraes.
Conteúdo das mensagens mostram relação de Nunes Marques com Vorcaro
O pedido de investigação e o ambiente no tribunal foram afetados após ministros aliados a Moraes solicitarem à Polícia Federal acesso à íntegra do celular de Vorcaro. O conteúdo, publicado pelos jornalistas Igor Gadelha e Andreza Matais, do portal Metrópoles, aponta três frentes de contato entre o ex-dono do Banco Master e Nunes Marques.
- Repasses financeiros: diálogos datados de 2025 entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do banco, citam Kevin Marques, filho do ministro, de 25 anos. O nome aparece ligado a uma planilha e ao valor de R$ 500 mil mensais. Em agosto daquele ano, Rennó confirmou a Vorcaro que o valor “foi pago”. Em resposta ao Metrópoles, Nunes Marques afirmou que o filho advoga para empresas como a Consult Inteligência Tributária — que recebeu pagamentos do Master —, mas nunca atuou diretamente para o banco.
- Viagens de luxo: mensagens mostram contatos atribuídos diretamente a Nunes Marques pedindo auxílio ao operador de viagens do banqueiro. O objetivo era organizar um roteiro de 10 dias para cinco pessoas na Europa ou no Peru. Os diálogos também indicam que o ministro e sua esposa utilizaram um jatinho particular, com bebidas de luxo a bordo, para comparecer ao aniversário de uma advogada do Banco Master, em Maceió (AL).
- Encontros em São Paulo: Uma mulher identificada como Rayanna negociou com Vorcaro um encontro no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Dias depois, ela cobrou R$ 10 mil do banqueiro pelo serviço e afirmou que uma de suas amigas “ficou com o Kassio”. À coluna do Metrópoles, o ministro negou veementemente a participação nos encontros citados.
De acordo com os registros judiciais, o Banco Master foi diretamente beneficiado por decisões recentes no STF, incluindo o caso da destilaria Alcídia, um processo com impacto financeiro de R$ 10 bilhões na carteira do banco.
Naquele julgamento, um pedido de vista (mais tempo para análise) feito por Nunes Marques precedeu uma mudança de voto do ministro Dias Toffoli, garantindo a vitória aos interesses da instituição financeira.
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(Revisão: Nichole Munaro)







