A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos contra as mercadorias brasileiras começa nesta quarta-feira (22). Os produtos em trânsito só serão tarifados se desembarcarem após o dia 29. A medida recomendada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) teve sua imposição decidida na última quarta-feira (15).
O USTR justificou as cobranças por “práticas desleais” do governo brasileiro, como as ordens da Justiça brasileira contra remoção de conteúdos das redes sociais dos EUA e a expansão do Pix. Outros motivos também seriam as falhas no combate ao desmatamento, ao crime organizado, ao trabalho forçado e à corrupção.
A Amcham Brasil, grupo que reúne empresas norte-americanas e brasileiras que fazem negócios bilaterais, afirma que o prejuízo pode ser de até US$ 11 bilhões, o que afeta cerca de 3 mil produtos. Já o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) afirma que as tarifas podem causar um prejuízo de US$ 7,4 bilhões, baseado nas importações de 2024.
Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. O Brasil exportou cerca de US$ 37,7 bilhões para o país norte-americano em 2025, e US$ 99,9 bilhões para o asiático.
Produtos livres de tarifas
O USTR anunciou que determinados produtos não serão tarifados por serem considerados matérias-primas que, se houver indisponibilidade, podem causar prejuízos à economia norte-americana.
A decisão, publicada na quinta-feira (16), aumentou a lista com os produtos isentos, como mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e de aço, produtos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos, além da carne bovina, café e laranja, que já estavam na lista.
Lei da Reciprocidade
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou que recorrerá à Lei da Reciprocidade, em relação à tarifa adicional de 25% aos produtos brasileiros, na última quarta-feira (15).
A Lei da Reciprocidade foi criada em razão da guerra comercial iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2025. Ela estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais, em resposta a ações política ou práticas unilaterais de países ou blocos econômicos que impactam a competitividade internacional brasileira.
As tarifas aos produtos brasileiros anteriormente eram de 5% e, agora, passaram a ser de 30%, com a sobretaxa de 25%. Segundo o USTR, a medida é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite a investigação de políticas e práticas estrangeiras que prejudiquem as empresas e exportadores dos EUA.
*Com informações do UOL.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







