O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (30) que o Mercosul funcione independentemente das mudanças de governo nos países-membros. Durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, Lula afirmou que a integração regional não pode ficar condicionada ao resultado das eleições e pediu o fortalecimento das instituições do Mercosul para garantir sua continuidade.
Ele ainda confirmou sua candidatura à reeleição para “garantir que o país se mantenha democrático”. A declaração foi feita após um discurso voltado à integração regional, publicou o G1.
“Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático”, afirmou o presidente. Lula também disse que a democracia voltou a ser ameaçada em diversos países e citou tentativas de golpe de Estado, incluindo o Brasil.
Durante o encontro, o presidente defendeu que o Mercosul mantenha sua atuação mesmo com as mudanças de governo nos países integrantes. Segundo ele, o bloco não pode ficar sujeito às posições políticas de cada presidente eleito. “O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco forte funcionando”, declarou.
Lula acrescentou que o Brasil continuará priorizando o Mercosul, independentemente do resultado das eleições, e pediu aos demais líderes um esforço para fortalecer as instituições do bloco.
Ao comentar os 35 anos do Mercosul, o presidente afirmou que a criação da organização representou uma resposta ao passado autoritário da América do Sul e classificou o bloco como a principal alternativa institucional para uma região marcada pela polarização política.
Pix regional e inteligência artificial
No discurso, Lula também propôs que os países compartilhem experiências no desenvolvimento de inteligência artificial e sugeriu que a arquitetura do Pix sirva de base para a criação de um sistema regional de pagamentos instantâneos. Segundo ele, a iniciativa pode reduzir custos nas transações comerciais e estimular o uso de moedas locais entre os integrantes do bloco.
Homenagem às vítimas na Venezuela
Os chefes de Estado presentes na cúpula fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela na semana passada. A homenagem foi proposta por Lula.
O presidente também defendeu a criação de um fundo regional para enfrentamento de desastres naturais e adaptação às mudanças climáticas. Para ele, o mecanismo é uma necessidade estratégica diante do aumento de eventos extremos na América do Sul.
Além de Lula, participaram da reunião os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, do Uruguai, Yamandú Orsi, do Chile, José Antonio Kast, e do Equador, Daniel Noboa. O presidente da Argentina, Javier Milei, não compareceu ao encontro e foi representado pelo chanceler Pablo Quirino.
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(Revisão: Nichole Munaro)




