Os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio informaram que os ministros das pastas disseram a representantes do governo norte-americano que não concordam com o “tratamento discriminatório” e “injusto” dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A informação foi divulgada em nota dos ministérios nesta segunda-feira (31).
Os ministros Mauro Vieira (Itamaraty) e Márcio Elias (MDIC) participaram de uma conversa virtual com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, e outros integrantes de ambos os governos para discutir o tema. Segundo as pastas, o governo brasileiro disse que está aberto ao diálogo para conduzir novas negociações.
“Os ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”, afirma a nota.
De acordo com o governo brasileiro, os países concordaram em ter outra reunião para analisar o progresso das próximas reuniões técnicas que irão acontecer nas próximas semanas. Os encontros podem ser tanto virtuais quanto presenciais.
A reunião marca uma nova retomada das negociações entre EUA e Brasil sobre o tarifaço contra exportações brasileiras. A conversa foi acertada após os presidentes Lula (PT) e Donald Trump se falarem por telefone no dia 21 de agosto.
Na ocasião, Lula afirmou que as justificativas do USTR para recomendar o tarifaço eram infundadas. Os Estados Unidos anunciaram, recentemente, duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros vendidos no mercado norte-americano.
Uma delas é de 25%, partindo do entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais contra empresários estadunidenses em seis setores da economia. A outra tarifa é de 12,5%, sob a justificativa de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam na proibição e fiscalização de mercadorias importadas oriundas de trabalho forçado.
Como reação, o Brasil acionou a OMC (Organização Mundial de Comércio). Na alegação, o Brasil afirmava que os EUA agiram de maneira discriminatória e feriram compromissos do próprio país na entidade.
Diplomatas brasileiros afirmam que não esperam uma reversão do tarifaço a partir de uma eventual decisão da OMC. Para eles, a medida marca uma posição do Brasil sobre o tema. O governo norte-americano já disse que está “à disposição” para conversar sobre o assunto, mas não indicou se haverá reversão ou não.
*Com informações do G1.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)




