O governo do Paraguai convocou, nesta quinta-feira (30), o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para entregar uma nota oficial relacionada às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança. O gesto representa, na diplomacia, uma insatisfação de um país com o outro.
O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Externas do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano. Segundo ele, o governo paraguaio defenderá a “dignidade” e os interesses do país. Ainda de acordo com Ramírez, os presidentes Lula e Santiago Peña conversaram por telefone sobre o assunto. O embaixador brasileiro receberá amanhã, ao meio-dia, uma nota diplomática oficial do governo paraguaio durante reunião com o vice-presidente Pedro Alliana.
Na quarta-feira (29), a Câmara dos Deputados do Paraguai emitiu uma declaração oficial para repudiar a fala de Lula. O documento sinaliza que as falas do presidente “distorcem e minimizam” a dimensão histórica do conflito. O órgão ainda afirma que o presidente desconhece a complexidade do conflito e as consequências deixadas pela guerra.
Fala de Lula
Na última sexta-feira (24), ao defender investimentos na área de defesa e de fortalecimento das Forças Armadas, Lula disse que “nós gostamos de paz, mas um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”.
Para contexto da fala, a Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, foi o maior conflito armado da América do Sul, com estopim na intervenção militar do Brasil no Uruguai, em 1864. Na época, o líder paraguaio Francisco Solano López declarou guerra ao Brasil, que formou uma aliança com a Argentina e o Uruguai para combater o Paraguai.
Ao fim da guerra, que só terminou após a morte de Solano López, o Paraguai perdeu parte do território, teve sua infraestrutura devastada e sofreu uma grave crise democrática, com consequências econômicas e sociais que afetam o país até hoje.
*Com informações do G1 e UOL.
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(Revisão: Nichole Munaro)



