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O dia em que uma carta psicografada inocentou marido da morte de miss

Cartas de Chico Xavier inocentaram marido na Capital
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Cartas de Chico Xavier inocentaram marido na Capital

Nos seus 117 anos, viveu momentos importantes na área jurídica com julgamentos que ficaram marcados, entre eles os dos envolvidos no sequestro e assassinato de Lúdio Coelho Filho (Ludinho), Fernandinho Beira Mar e outros. No entanto o caso que envolveu a ex-miss Campo Grande, Gleide Dutra de Deus, morta com um tiro na altura da garganta em 1º de março de 1980 até hoje é relembrado por juristas.

O detalhe é que o principal acusado foi o marido dela. No julgamento ele foi absolvido e uma das principais o peças da defesa foi a apresentação de cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier, com mensagens da vítima afirmando que o marido era inocente e que o fato teria sido um acidente.

O caso ganhou tanto destaque que atualmente um resumo encontra-se no hall de entrada do Tribunal de Justiça, para visitação dos interessados.

O caso

João Francisco Marcondes Fernandes de Deus foi acusado de ter matado a sua esposa, a ex-miss Campo Grande, Gleide Dutra de Deus, no dia 1º de março de 1980, após voltarem de uma festa, às 0h30min, com um tiro que a atingiu na região da garganta. Os dois moravam no Bairro dos Estados. João de Deus e Gleide (que, de acordo com testemunhas, eram um casal feliz) voltavam de um jantar, em companhia da mãe de Gleide e mais dois amigos do casal, e se dirigiam para outra festa, que seria realizada na casa de um colega de trabalho. No caminho, a mãe de Gleide pediu para ser deixada em casa. Pouco tempo depois, a própria Gleide também desistiu de ir à festa.

Quando chegaram na residência do casal, ambos entraram, pois João de Deus queria pegar sua arma (ele possuía um revólver por ser tesoureiro da agência de crédito). Depois de alguns minutos, os dois amigos, que tinham ficado no carro, ouviram um disparo e gritos de socorro. João saiu carregando a mulher e dirigiu-se a um hospital, onde Gleide permaneceu internada, vindo a falecer posteriormente.

Por esse motivo, o promotor Francisco Pinto de Oliveira Neto denunciou o acusado para ser julgado pelo Tribunal do Júri.

Na delegacia, João Francisco disse que o disparo havia sido acidental. Ele teria pego a arma do criado mudo e, ao colocar na cintura ela disparou. Após o fato, o acusado se internou no então Sanatório Mato Grosso (atualmente Hospital Nosso Lar) com desequilíbrio emocional.

Em juízo, João Francisco alegou que sua mulher estava sentada na cama no momento do disparo e que ele estava pegando a arma para ir com o irmão e um amigo, que o esperavam no carro, para uma outra festa.

Em março de 1982, o juiz Armando de Lima remeteu o processo ao Tribunal do Júri, por entender tratar-se de homicídio doloso, aquele em que o réu tem a intenção de matar. Depois de debates judiciais entre acusação e defesa, a Turma Criminal do TJMS anulou a sentença de pronúncia e o processo foi remetido para outro juiz, o então juiz Dr. Nildo de Carvalho.

No primeiro júri realizado, os jurados reconheceram, por unanimidade, que o réu não teve a vontade de matar, sendo absolvido. Após a acusação recorrer, foi determinado novo júri e, no segundo julgamento popular, já em 1990, João Francisco foi acusado por homicídio culposo, ou seja, sem a intenção de matar.

A defesa, onde atuou o advogado Ricardo Trad usou duas cartas psicografadas por Chico Xavier,nas quais a vítima inocentava o marido, e ainda, segundo testemunho de enfermeiros que a atenderam no hospital antes de morrer, a vítima teria inocentado o marido. Pelo homicídio culposo, o réu não chegou a ficar preso porque a pena de um ano já havia prescrito.

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