Nas últimas 48h, Campo Grande registrou 113 milímetros de chuva acumulados, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O alto volume foi suficiente para deixar um rastro de estragos em vários bairros, entre alagamentos e enxurrada. O alerta laranja de temporais e até granizo segue até sábado (15).
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Na quinta-feira (13), pessoas foram resgatadas em meio ao alagamento da Avenida Rachid Neder, um dos pontos mais críticos do município. A área próxima ao Córrego Segredo transbordou.
O Jornal Midiamax lista os pontos críticos mais afetados pelas chuvas.
Rotatória da Rachid Neder
A rotatória da Avenida Rachid Neder com a Ernesto Geisel, no bairro Monte Castelo, segue interditada nesta sexta-feira (14). O trecho foi o mais afetado pelo alagamento, a ponto de o asfalto ser levado pela enxurrada.
Além do asfalto arrancado pela água, dois postes de iluminação caíram. Um deles atingiu a fachada de uma floricultura, e a pista ficou coberta de lama e entulho.
Com o novo transbordamento, a via precisou ser novamente fechada. As autoridades reforçam a orientação para que motoristas evitem áreas de risco e não tentem atravessar enxurradas.

Avenida Ernesto Geisel
Vários pontos da avenida Ernesto Geisel foram afetados pelo volume de água. Na altura da Rua Jequitibá, o córrego transbordou e interrompeu o trânsito por mais de meia hora. Funcionários de uma oficina mecânica precisaram interromper o trabalho para limpar a sujeira deixada pela enxurrada.
A reportagem esteve no local e registrou o momento em que o fluxo de veículos foi afetado, enquanto a água cobria parte da via.
Após o Rio Anhanduí transbordar, na região da Vila Marcos Roberto, tilápias apareceram mortas às margens do rio. As imagens mostram dezenas de peixes mortos.

Moradores ilhados
Moradores e pedreiros que trabalhavam em uma obra ficaram ilhados por cerca de duas horas, na tarde da quinta-feira (13), devido ao temporal que alagou a Rua Tango, no Jardim Centenário.
O enfermeiro Mário Silva mora há pouco mais de um ano na região e conta que o problema se iniciou depois que asfaltaram uma rua próxima e desviaram a água da chuva para as ruas de terra.
Imagens enviadas pelo Canal Fala Povo Midiamax mostram uma forte enxurrada descendo pela Rua Tango. A via é lateral à Rua Campestre, na qual um homem ‘surfou’ na enxurrada, em março deste ano. “Ficou bonitinho o asfalto, mas o preço é jogar a água na rua de terra”, reclama Mário.
A situação foi semelhante no bairro São Conrado. Em poucos minutos, as ruas se transformaram em verdadeiros ‘rios’. Um Fiat Uno ficou ilhado na Avenida Capitão Airton Rebouças.
Um motorista foi flagrado tentando resgatar um Fiat Uno que também ficou ilhado na avenida. Além disso, um motociclista foi flagrado tentando fazer travessia na via.
Rua ‘some’ no Seminário
A Rua Frutuoso Barbosa, no bairro Jardim Seminário, desapareceu temporariamente após ser tomada pela enxurrada. Consequentemente, os moradores ficaram ilhados.
Conforme vídeo encaminhado ao Jornal Midiamax, é possível ver que a água é tanta, que ondas se formam — quase como uma pororoca em solo sul-mato-grossense. Além disso, a calçada também é invadida, e só os aventureiros se arriscariam a encarar uma saída de casa.
Em poucos minutos, a chuva, que havia dado uma trégua durante a manhã, voltou com força total e causou pontos de alagamentos e enxurradas em vários bairros de Campo Grande.

Motorista é socorrida em carro ilhado
Uma motorista ficou ilhada após tentar atravessar um trecho alagado no cruzamento das avenidas Rachel de Queiroz e Thyrson de Almeida, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande, durante o temporal desta quinta-feira (13).
Imagens enviadas à redação mostram o veículo de pequeno porte cercado pela água no meio do cruzamento, enquanto motociclistas se mobilizam para ajudar os ocupantes.
O ponto fica próximo ao curso do Córrego Anhanduí. Assim como nesse local, outros trechos da cidade registraram alagamentos e resgates de pessoas. A redação recebeu dezenas de vídeos mostrando ruas tomadas pela água, em diferentes regiões da Capital.
Lagoa transborda no bairro Água Limpa Park
A lagoa perto do Água Limpa Park em Campo Grande transbordou durante a chuva. Ruas da região ficaram com enxurrada forte com o rompimento da barragem da lagoa.
Imagens mostram a força da água descendo a Rua Marluce. Há dois anos, o rompimento da contenção deixou uma casa destruída no bairro.

Ruas tomadas pela lama
A cada chuva, moradores da Rua Erondes Braga da Costa, no bairro Tijuca, em Campo Grande, sofrem para sair de casa. De terra, a via se transforma em um verdadeiro atoleiro, que dificulta até o trânsito de pedestres. Com o temporal de quarta-feira (12), a situação não foi diferente, e eles amanheceram ilhados em casa.
“Já há 3 meses que estamos nessa situação; crianças faltam à aula porque não tem como sair nem a pé. Estamos sem poder entrar em casa”, relata o vendedor Edilmar Roca Rodem, morador da Rua Erondes Braga da Costa.
‘Meu quintal virou rio’
“Meu quintal virou um rio”. Parece até um meme, mas foi isso que moradores do Jardim Colúmbia, em Campo Grande, viveram na noite de quarta-feira (12). A cidade enfrentou um temporal que deixou rastros de destruição por diversos bairros, com ruas alagadas, árvores caídas e até veículos sendo levados pelas águas.
A dona de casa Claudia Ferreira teve o seu quintal invadido pelas águas da chuva de ontem. “A rua aqui, choveu, vira um rio, mas [a chuva] de ontem foi ao extremo”, contou. Nas últimas 12h, Campo Grande registrou 93 milímetros de chuva.

Mais chuva
Campo Grande permanece no radar de chuvas intensas nesta sexta-feira (14). Os modelos meteorológicos apontam acumulados significativos de precipitação, com volumes acima de 30 a 40 milímetros em 24h, com destaque para as regiões sudoeste, oeste e norte do estado de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), o dia será com bastante nebulosidade e poucas aberturas de sol. Ainda há possibilidade de chuvas intensas e tempestades, que podem vir acompanhadas de raios e rajadas de vento.
Esse cenário está associado ao transporte de calor e umidade, além do deslocamento de cavados invertidos. A presença de uma frente fria oceânica também contribui para a intensificação das instabilidades sobre Mato Grosso do Sul.
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(Revisão: Nichole Munaro)









