Campo Grande registrou, até 29 de outubro, cerca de 1.475,8 milímetros de chuva acumulados em 2026, número superior ao total do ano passado, de 1.202 mm. Antes do fim deste mês, a Capital já soma precipitação de 246,2 milímetros, cerca de 63% acima do esperado para outubro inteiro, com média histórica de 150,6 mm.
Além disso, o volume de chuva esperado entre janeiro e outubro é de aproximadamente 1.085,4 mm, cerca de 36% a menos que o total observado no período em 2026. Apenas os meses de janeiro e de agosto foram menos chuvosos que a média em 2026. Os dados são da estação do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a partir de análise do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul).
Segundo o Cemtec, a média histórica indica cerca de 1.455,3 milímetros de chuva por ano na estação do Inmet em Campo Grande. No entanto, 2026 já possui um acumulado de 1,4% superior ao índice, mesmo antes do fim do ano. O meteorologista Vinicius Sperling, do Cemtec, explica que o ano começou com menos chuvas do que o normal, mas teve aumento em quase todos os meses seguintes.
“Janeiro realmente começou ruim de chuva; as chuvas foram muito irregulares. Janeiro, que é para ser um dos meses mais chuvosos do ano, choveu menos, e agosto também. Nos outros meses do ano, choveu acima da média, com destaque para fevereiro, que é o mês que mais choveu até então. Outubro tem uma peculiaridade de ser o maior acumulado até agora, ele ainda não tá fechado. Pode ser que esse acumulado, até o fim do mês, seja o maior do ano, porque ele já tá muito próximo a fevereiro”, comenta.
Efeito do Super El Niño?
O aumento da chuva ocorre também por influência do Super El Niño, que possui cerca de 96% de probabilidade de atuar com intensidade “Muito Forte” nos próximos meses. No entanto, o fenômeno não é o único responsável pelo alto volume de precipitação.
Vinicius explica que o El Niño intensifica as condições meteorológicas já existentes em uma região ou período. No caso de Mato Grosso do Sul, neste mês de outubro, não há bloqueios atmosféricos que impeçam a chegada de tempestades. “Não tá tendo esses bloqueios, estão entrando os sistemas, as frentes, os cavados, as baixas pressões, e com maior disponibilidade de umidade, que retorna da Amazônia, e, com o El Niño em atuação, a tendência é potencializar essas tempestades que são típicas da primavera”, afirma o meteorologista.
“O mais importante é que ele não atua sozinho. Mas ele pode amplificar, principalmente, esses eventos extremos, seja lá em 2024, as ondas de calor e a seca intensa, ou esse ano, com muito mais chuva para o centro-sul do MS”, complementa.
O especialista também explica que o Estado está localizado em uma região de alta variabilidade climática. Por isso, cada região de Mato Grosso do Sul pode sofrer diferentes impactos meteorológicos durante um mesmo período. “No norte e nordeste de MS, a situação já tá um pouco diferente. Mato Grosso do Sul está numa divisão, e a porção mais ao norte, nordeste do Estado já não tem sofrido tanto essas chuvas intensas e recorrentes”, completa Vinicius.
Ano mais chuvoso
Este ano pode superar com ainda mais folga a média histórica de precipitação acumulada e os registros dos anos anteriores. Isso porque novembro e dezembro ainda não entraram nessa conta. Os últimos dois meses do ano costumam ser chuvosos, com média de mais de 360 mm acumulados juntos.
A tendência, conforme boletim de previsão climática do Cemtec, é de que Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões sul e centro-sul, tenha precipitação acima da média no período. A probabilidade varia entre 60% e 100% de o acumulado de chuva ser maior do que a média em Campo Grande.
Nos últimos dois anos, Campo Grande teve acumulados abaixo da média histórica na estação meteorológica. Em 2024, o Estado enfrentou seca e teve apenas 780,6 milímetros ao longo do ano, quase metade da média. Já no ano passado, o total acumulado foi de 1.202 mm, cerca de 17% abaixo da normal climatológica.
“Se eu for comparar com 2025, 2024, muda muito, porque aqui no Mato Grosso do Sul é um local de alta variabilidade climática […] Às vezes, não tem muito sentido comparar os anos, pelo Estado estar inserido dentro dessa zona de transição climática. O que faz sentido é: está chovendo mais esse ano”, explica Vinicius.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







