Há 16 anos dedicada à causa animal, Odileuza Duailibi Ferreira, de 48 anos, transformou a própria casa em um abrigo para animais resgatados das ruas. Hoje, ela é responsável por 132 animais e enfrenta dificuldades para manter a estrutura, principalmente após a queda nas doações.
Odileuza é responsável por um abrigo cadastrado na Subea (Superintendência de Bem-Estar Animal) da Prefeitura de Campo Grande. O trabalho começou com resgates, tratamentos, castrações e encaminhamentos dos animais para adoção. Porém, com o aumento dos casos de abandono, o número de animais resgatados passou a ser muito maior do que o de adoções.
“Eu comecei resgatando, tratando, castrando e disponibilizando para adoção. Mas, com o número de abandonos aumentando, o número de resgatados ficou muito maior que o de adotados. Então abri minha casa para abrigá-los, porque, uma vez retirados da rua, jamais os devolveria”, conta.
Atualmente, 89 gatos e 18 cães vivem no abrigo, enquanto outros 25 animais estão em uma chácara, utilizada como lar temporário por falta de espaço na residência.
Ao todo, são 132 animais sob responsabilidade da cuidadora. Além de realizar os resgates, Odileuza é quem cuida diariamente da alimentação, limpeza, medicação e demais necessidades dos animais.
“Eu sou sozinha. Faço todo o trabalho, desde o resgate até os cuidados com todos aqui no abrigo. A limpeza, alimentação, medicação, tudo sou eu que faço. Não tenho ajuda física”, relata.
Mais de R$ 5 mil por mês só com alimentação
Manter tantos animais exige uma estrutura financeira que nem sempre é possível garantir. Segundo Odileuza, somente os gastos com ração para cães e gatos e areia sanitária ultrapassam R$ 5 mil por mês.
Além disso, o abrigo precisa arcar com fraldas, tapetes higiênicos, medicamentos e sachês. Os custos aumentam principalmente quando algum dos animais precisa de atendimento veterinário emergencial.
Odileuza conta que recebe auxílio para a realização das castrações dos animais, o que ajuda a reduzir parte dos custos do trabalho. No entanto, as despesas diárias para manter os 132 animais continuam sendo responsabilidade do abrigo e dependem, principalmente, de doações.
“Temos animais idosos, paraplégicos, renais, entre outros. Quando eles precisam de um atendimento emergencial, os custos aumentam muito”, explica.
A situação ficou ainda mais difícil depois que Odileuza precisou passar por uma cirurgia e se afastar das atividades que realizava diariamente para complementar a renda.
“Devido a ter passado por uma cirurgia, tive que ficar afastada das diárias e as coisas apertaram ainda mais. Hoje dependemos totalmente das doações, que têm sido o que nos mantém com as portas abertas, atendendo-os com dignidade”, afirma.
Doações diminuíram, mas trabalho continua
Mesmo com a redução das doações, Odileuza afirma que continua mantendo o abrigo graças também às pessoas que visitam o espaço e conhecem de perto o trabalho realizado.
Segundo ela, muitos visitantes acabam se tornando divulgadores da causa depois de conhecerem a organização e os cuidados oferecidos aos animais.
“As doações caíram muito, mas nós continuamos. Recebemos muitas visitas de pessoas que vêm pessoalmente conhecer o local e se apaixonam pelo cuidado que veem que tenho com eles e pela organização. Isso acaba divulgando meu trabalho e passando credibilidade para outras pessoas ajudarem”, conta.
O marido também participa da manutenção do espaço, principalmente na construção e melhoria da estrutura. Ele mantém o próprio trabalho e ajuda com despesas como água, energia elétrica e, eventualmente, materiais de limpeza.
“Ele me ajuda na construção da estrutura. O trabalho dele é o que mantém as contas mensais de água, luz e, às vezes, material de limpeza, que são bem altas. A higiene do local é feita três vezes ao dia. Assim, fazemos juntos esse trabalho em prol dos animais”, afirma.
Mesmo diante das dificuldades, Odileuza diz que não pretende interromper o trabalho, iniciado há 16 anos. Para ela, cada animal retirado das ruas passa a ter uma nova chance de receber cuidados e viver com dignidade, mesmo quando a adoção não acontece.
O abrigo recebe doações para ajudar com ração, areia, medicamentos, fraldas, tapetes higiênicos, sachês e demais despesas dos animais.
Chave Pix: 67 99210-7326







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(Revisão: Nichole Munaro)








