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Cotidiano

Em 40 anos, Cerrado perde área de vegetação equivalente a 72 milhões de campos de futebol

Em áreas próximas a rios, a perda foi de 13,9 milhões de hectares
Claudemir Candido -
cerrado
Desmatamento no Cerrado – ilustrativa. (Agência Brasil)

Uma área de quase 52 milhões de hectares, equivalente a 72 milhões de campos de futebol, foi perdida entre 1985 e 2025 no Cerrado, conforme dados divulgados pelo MapBiomas. Em áreas próximas a rios, a perda foi de 13,9 milhões de hectares, cerca de 26% de toda a vegetação perdida no bioma.

De acordo com a pesquisa, o Cerrado, segundo maior bioma do país, com 200,4 milhões de hectares, teve perda líquida de 34% de vegetação nativa — cerca de 51,7 milhões de hectares — entre 1985 e 2025. A formação savânica foi a mais afetada, com redução de 41%, sendo 34,0 milhões de hectares. Em 2025, a vegetação nativa cobria apenas 49,6% do bioma.

Na faixa de até 30 metros dos rios, a área de vegetação nativa reduziu 13,9% no período. Em 2025, pastagem e agricultura ocuparam, juntas, 18,2% dessa faixa. No mesmo ano, 36,5 milhões de hectares de vegetação nativa estavam a até 500 m dos rios, o equivalente a 36,7% de toda a vegetação remanescente no Cerrado.

Segundo a analista do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) Bárbara Costa, essa vegetação é o que ajuda a proteger o solo, e a redução dessas áreas pode afetar as águas hoje disponíveis no bioma.

“A vegetação próxima aos rios ajuda a proteger o solo, reduzir a erosão e evitar que sedimentos cheguem aos cursos d’água. A redução dessa cobertura pode aumentar o assoreamento, afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar a paisagem mais vulnerável a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas”, explica a analista.

A explicação é comprovada pela pesquisa, que mostra a redução das áreas de vegetação próximas a seis grandes rios do Brasil, onde houve drástica perda de vegetação nativa, somando, juntas, uma redução de quase 6 milhões de hectares ou 41% de toda a redução de vegetação nativa registrada em até 500 metros dos rios no Cerrado.

O Alto Tocantins e Araguaia registram as maiores áreas de vegetação nativa perdidas em até 500 metros da rede de drenagem. No Alto Tocantins, essa vegetação passou de 9,7 milhões para 6,8 milhões de hectares. No Araguaia, foi de 7,8 milhões para 5,1 milhões. Já no Médio São Francisco, caiu de 4,9 milhões para 3,8 milhões de hectares.

301 municípios reduziram vegetação nativa

Conforme o MapBiomas, em 2025, seis dos 13 estados com área no Cerrado mantêm mais da metade de sua porção no bioma coberta por vegetação nativa. O Piauí tem a maior proporção, cerca de 78,2%, e , a menor, com 14,7%.

A agropecuária passou a predominar em 61% dos municípios, ante 41% em 1985. Ao todo, 301 cidades deixaram de ter predomínio de vegetação nativa. Em 1985, 154 municípios tinham menos de 20% de vegetação nativa em sua porção inserida no Cerrado; em 2025, eram 381, ou 227 a mais.

Já o número de municípios com mais de 80% de vegetação nativa caiu de 624 para 225.

Crescimento da agropecuária

A área de agropecuária mais que dobrou, passando de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares e ocupando quase metade do Cerrado. A agricultura teve aumento de 24,7 milhões de hectares no período e chegou a 29,7 milhões de hectares em 2025. Nesse mesmo ano, o Cerrado concentrou 49,2% da área de soja do Brasil.

Até 2005, predominou a transição de vegetação nativa para pastagem em todo o Cerrado. Entre 2015 e 2025, nos estados do Matopiba, predominou a conversão de vegetação nativa para agricultura. Nos demais estados do Cerrado, houve o aumento da transição de pastagem para agricultura. Nesse período, 81,4% das transições de vegetação nativa para agricultura ocorreram no Matopiba, e 78,0% das transições de pastagem para agricultura ocorreram nos demais estados do Cerrado.

Em 2025, o Matopiba reunia 47,7% da vegetação nativa remanescente do Cerrado.

Campo alagado, silvicultura e outros

A classe de campo alagado e área pantanosa perdeu 1,4 milhão de hectares. Desse total, do que foi convertido, 76,2% viraram pastagem ou agricultura. Já a silvicultura passou de 600 mil hectares para 3,9 milhões de hectares, um crescimento de 511%, variação percentual superior à da agricultura entre 1985 e 2025. A área mais que dobrou desde 2005.

A mineração ocupa 61.743 hectares em 2025, 516% a mais do que em 1985. Das transições para mineração, 69,6% partiram de vegetação nativa. Dez municípios reúnem 68% da área minerada do bioma, liderados por Nossa Senhora do Livramento e Poconé, ambos em Mato Grosso.

A área urbanizada chegou a um milhão de hectares. (DF) concentrou 6,8% do aumento da área urbanizada no período. Considerando a principal classe de origem das novas áreas urbanizadas em cada município, a vegetação nativa predominou em 45,3% dos municípios, seguida pela pastagem.

A área de usinas fotovoltaicas soma 14.215 hectares, ou 31,9% da área dessas usinas no Brasil. Ao todo, 5.964 hectares ocupados por elas em 2025 eram cobertos por vegetação nativa em 2016. O parque eólico ocupa 2.180 hectares, 7,6% do total nacional. Nesse caso, 1.224 hectares ocupados por parque eólico em 2025 eram cobertos por vegetação nativa em 2016.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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