A casa histórica da Rua 13 de Maio com a Antônio Maria Coelho, demolida no ano passado, pode ser reconstruída após novas movimentações no processo que pedia o seu tombamento. A casa da década de 1922 era considerada um bem histórico-cultural de Campo Grande.
O juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, deixou a 26ª Promotoria de Justiça da Capital aditar a petição inicial para pedir a reconstrução da residência centenária.
Isso porque, inicialmente, a ação buscava obrigar a Prefeitura de Campo Grande a concluir o processo de tombamento do imóvel e a proprietária do bem, uma igreja evangélica, a promover sua restauração.
Entretanto, a casa já estava em avançado estado de deterioração, com risco de ficar em ruína — conforme laudos técnicos e vistorias realizadas ao longo dos anos.

Durante a tramitação do processo, o cenário mudou: em maio de 2025, a casa foi demolida, o que inviabilizou a execução do pedido original de restauração.
Diante dessa nova realidade, o autor do processo pediu para substituir o pedido de restauração pela reconstrução do imóvel — observando suas características originais e diretrizes técnicas de preservação.
Ao analisar o pedido, o magistrado reconheceu a relevância da situação e destacou que a ação é fundamental para enfrentar o cenário. A decisão abre caminho para a reconstrução do bem demolido, além de reforçar a responsabilização por danos ao patrimônio histórico-cultural.

‘A casa que todo mundo vê’
O Jornal Midiamax conversou, em 2022, com o bisneto do primeiro dono do imóvel, para conhecer a história do casarão que “todo mundo vê”, mas do qual ninguém sabe o passado.
Beto Magalhães, bisneto do primeiro morador, decidiu revelar a “história real” por trás da emblemática casa. O relato surgiu depois que um interessado em saber do passado do prédio publicou nas redes sociais sua indagação: “Alguém sabe o que foi esse lugar?”, questionou. Não demorou nada para que Beto se pronunciasse e abrisse o jogo sobre o histórico do local, que se encontrava abandonado há anos, tomado pelo mato, quase em ruínas.
“Me dá dó ver essa casa neste estado. Passei minha infância brincando ali dentro, principalmente assustando as pessoas pela ventilação do porão que dá para a rua. Essa casa foi construída em 1922, por Ignacio Gomes, meu bisavô, avô da minha mãe, um imigrante espanhol que veio para o Brasil em busca de trabalho”, diz Beto Magalhães.
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