Alvo de investigações após mortes de pacientes e irregularidades sanitárias em Campo Grande, a rede de clínicas de hemodiálise DaVita voltou a ser alvo de denúncias. Desta vez, relatos envolvendo uma unidade no Rio de Janeiro apontam problemas estruturais e sobrecarga de funcionários durante o atendimento aos pacientes.
Denúncias encaminhadas ao Jornal Midiamax indicam que a unidade localizada na Ilha do Governador enfrenta, há mais de 10 dias, falhas no sistema de ar-condicionado. Segundo os relatos, o equipamento estaria apenas ventilando, sem climatizar adequadamente os ambientes onde pacientes passam horas conectados às máquinas de hemodiálise.
A situação teria provocado mal-estar entre pacientes durante o tratamento. O relato também aponta que profissionais enfrentam sobrecarga após a abertura de um novo turno de atendimento sem a contratação de novos funcionários.
“Pacientes e funcionários [estão] há mais de 10 dias em tratamento e trabalhando com o sistema de ar-condicionado deficiente. Apenas ventilando muito mal”, relata.
Sobrecarga e acúmulo de funções
Ainda segundo a denúncia, parte dos profissionais estaria acumulando funções e realizando dupla jornada diante da falta de pessoal. O denunciante afirma que a sobrecarga compromete as condições de trabalho e, consequentemente, o atendimento aos pacientes.
“Pacientes passando mal, não há atendimento de qualidade, não pela incapacidade dos profissionais, mas pelo estresse e sobrecarga de serviço. Alguns já fazem dupla jornada, outros acumulam funções”, diz.
O denunciante, que afirma acompanhar há cerca de 19 meses o tratamento da mãe na unidade, também relata preocupação com a manutenção dos equipamentos da clínica.
Segundo ele, problemas na sala de máquinas teriam sido percebidos anteriormente e comunicados à administração. O denunciante afirma possuir experiência profissional na área de manutenção e diz que falhas no processo de manutenção já teriam provocado interrupções no funcionamento de equipamentos.
“A ganância ou o desejo de gerar lucro a baixo custo pode estar custando ou sacrificando vidas ou a qualidade delas”, diz.
A denúncia já foi formalizada internamente à administração da unidade e por meio do canal de denúncias da empresa. O caso também foi comunicado à Vigilância Sanitária do município do Rio de Janeiro.
DaVita de Campo Grande atende pacientes de 16 cidades
Em Mato Grosso do Sul, duas unidades da DaVita em Campo Grande possuem papel importante no atendimento de pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
A clínica localizada no bairro São Francisco possui 57 aparelhos de hemodiálise e atende 273 pacientes exclusivamente pelo sistema público. Já a unidade situada na Rua Antônio Maria Coelho destina 50 equipamentos ao SUS e atende cerca de 300 pessoas.
Além dos moradores de Campo Grande, pacientes de ao menos outras 16 cidades de Mato Grosso do Sul são encaminhados para tratamento nas unidades da rede na Capital.
Além disso, a empresa possui convênio para receber incentivo financeiro público destinado à Atenção Especializada em Doença Renal Crônica, incluindo o custeio de sessões de hemodiálise e a ampliação do acesso à diálise peritoneal para pacientes crônicos atendidos pelo SUS.
Mortes e irregularidades investigadas

Uma das unidades da DaVita em Campo Grande passou a ser investigada após intercorrências registradas durante sessões de hemodiálise. No dia 27 de abril, pacientes precisaram de atendimento médico ao mesmo tempo durante procedimentos realizados na clínica.
Um homem de 62 anos, morador de Aquidauana, morreu três dias depois, enquanto permanecia internado em um hospital da Capital. A certidão de óbito apontou septicemia bacteriana e pneumonia.
Outra paciente morreu no dia 18 de maio, após permanecer internada. Com a repercussão, os casos passaram a ser investigados pela Vigilância Sanitária Estadual, Polícia Civil e Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Além das intercorrências e mortes, o MPMS apura possíveis irregularidades nos serviços prestados pela clínica. Conforme informações do Ministério Público, há suspeitas de falhas em protocolos assistenciais e sanitários, além de relatos de pacientes sobre possíveis danos sofridos durante o atendimento.
O caso chegou à 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande em maio deste ano. Desde então, o órgão requisitou informações e acompanhou inspeções realizadas pela Vigilância Sanitária Estadual na unidade.
Durante a fiscalização, foram identificadas 12 irregularidades. A inspeção resultou na lavratura de auto de infração e na emissão de notificação para adoção de medidas corretivas.
Clínica terá de comprovar correções
Em 29 de julho, um inquérito civil foi instaurado. O procedimento segue em tramitação enquanto são concluídas as investigações e avaliadas as medidas cabíveis.
A clínica DaVita, a Vigilância Sanitária Estadual e a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande receberam ofícios do Ministério Público. Agora, a empresa deverá apresentar os documentos que comprovem as providências adotadas para corrigir as 12 irregularidades apontadas durante a fiscalização.
Já a Vigilância Sanitária Estadual deverá informar se as exigências foram cumpridas, se houve novas inspeções na unidade e qual o andamento do processo administrativo sanitário instaurado após os fatos registrados em maio.
A Polícia Civil também deverá informar à Promotoria sobre o andamento do inquérito policial aberto para investigar as intercorrências relacionadas à clínica.
Há menos de um mês, a unidade localizada na Rua 13 de Maio, no bairro São Francisco, voltou a ser alvo de reclamações após pacientes relatarem quedas frequentes de energia elétrica e o aparecimento de um escorpião durante sessões de hemodiálise.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






