Pacientes da clínica de hemodiálise DaVita encontraram, na manhã desta sexta-feira (14), um escorpião durante as sessões do tratamento. A situação foi registrada na unidade localizada na Rua 13 de Maio, no bairro São Francisco, em Campo Grande.
Conforme relatos, o animal peçonhento estaria grudado em uma das máquinas de hemodiálise. A visita inesperada, consequentemente, assustou as pessoas presentes, gerando confusão no local. “[A gente] fica nervoso, porque nós, [que somos] renais crônicos, a pressão altera, é perigoso infarte”, afirma um paciente.
Perante a situação, pacientes passaram a questionar se os serviços de dedetização na clínica estariam em dia. O Jornal Midiamax acionou a DaVita para solicitar um posicionamento quanto ao caso, que informou que o escorpião teria sido encontrado na recepção da unidade, e não próximo à máquina de hemodiálise. Confira a nota na íntegra:
“A DaVita Tratamento Renal esclarece que o escorpião foi encontrado já sem vida na área da recepção da unidade da Rua 13 de Maio, localizada junto ao acesso externo da clínica, e não próximo a uma máquina de hemodiálise ou nas salas onde são realizados os tratamentos, como relatado.
Assim que o inseto foi identificado, a equipe realizou a sua retirada e a higienização do local. Também foi realizada uma verificação nas salas de diálise, sem identificação de qualquer ocorrência semelhante.
A unidade mantém rotina de limpeza e medidas periódicas de controle de pragas. A DaVita reforça que segue os protocolos de segurança e higiene, mantendo como prioridade o cuidado e a segurança de pacientes e profissionais.“
3ª maior clínica de hemodiálise do SUS em MS
A clínica DaVita, no bairro São Francisco, em Campo Grande, é a terceira maior de Mato Grosso do Sul em atendimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A unidade possui 57 aparelhos de hemodiálise e atende 273 pessoas, com uso exclusivo do sistema público. Já a segunda unidade da DaVita, na Rua Antônio Maria Coelho, é a segunda maior. A clínica destina 50 aparelhos de hemodiálise ao SUS, com 300 pacientes.
Inclusive, pacientes do interior de Mato Grosso do Sul recebem atendimento nessas unidades de saúde. Outra publicação expõe que, além de moradores da Capital, pessoas de outras 16 cidades do Estado são encaminhadas para hemodiálise na DaVita. Ao menos duas pessoas que passaram mal eram do interior.
A DaVita possui convênio para receber incentivo financeiro público para a Atenção Especializada em Doença Renal Crônica, o que inclui custeio das sessões de hemodiálise e ampliação do acesso à diálise peritoneal para pacientes crônicos no SUS.
Possíveis irregularidades
No dia 27 de abril, pacientes precisaram de socorro médico ao mesmo tempo. Um morador de Aquidauana, de 62 anos, morreu no dia 30, internado em hospital da Capital. A causa foi registrada como “septicemia bacteriana e pneumonia” na certidão de óbito. Outra paciente morreu no dia 18 de maio, após ficar internada. Vigilância Sanitária Estadual e polícia também investigam o caso.
Além de apurar possíveis irregularidades nos serviços prestados pela clínica, o MPMS investiga a circunstância das intercorrências registradas durante as sessões de hemodiálise. Conforme o Ministério Público, há suspeitas de falhas em protocolos assistenciais e sanitários, e pacientes relataram danos.
O caso chegou à 76ª Promotoria de Justiça da Capital em maio deste ano, quando requisitou informações e acompanhou inspeções da Vigilância Sanitária Estadual na unidade de saúde. Ainda conforme o MPMS, foi lavrado auto de infração, além da emissão de notificação determinando a adoção de medidas corretivas. “A autoridade sanitária manteve a autuação e aplicou penalidade administrativa”, informa nota do MP.
Próximos passos
O inquérito civil foi instaurado em 29 de julho e oficialmente aberto no dia seguinte. O procedimento permanece em tramitação até a conclusão das investigações e a adoção das medidas cabíveis. A clínica DaVita, a Vigilância Sanitária Estadual e a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande receberam ofícios do MPMS.
A clínica deverá apresentar, no prazo de 20 dias, comprovação de providências adotadas para corrigir as 12 irregularidades encontradas pelos fiscais, enquanto a Vigilância Sanitária do Estado deve informar se as exigências foram cumpridas, se houve novas inspeções e qual o resultado do processo administrativo sanitário aberto em maio. A Polícia Civil, por fim, deverá informar à Promotoria qual o andamento do inquérito policial que apura os fatos relacionados à clínica.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









