Os 40 agentes da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) saem de Dourados até o fim deste sábado (18). Assim, o DSEI-MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul) assume o enfrentamento à epidemia nas aldeias da Reserva Indígena de Dourados.
Conforme o coordenador do DSEI-MS, Lindomar Terena, a equipe já se prepara para essa mudança. Além disso, ele destaca que o Distrito e a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) sempre estiveram em atuação nas aldeias, em parceria com a Força Nacional do SUS e a Secretaria Municipal de Saúde de Dourados.
A partir deste final de semana, UBSIs (Unidades Básicas de Saúde Indígena) das aldeias ficam abertas sem intervalo para almoço. Aos sábados, haverá escala para garantir a continuidade dos atendimentos.
“São 50 agentes de endemias para atender às aldeias Jaguapiru e Bororó, com atividades diárias voltadas ao controle do vetor que transmite a chikungunya”, detalha Lindomar Terena.
Força Nacional do SUS
Tanto o governo federal quanto a prefeitura declararam estado de emergência por conta da epidemia, o que possibilitou a atuação federal.
A Força Nacional do SUS chegou à cidade em 17 de março e deve se retirar no sábado (18), com seus 40 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos e psicólogos. Assim, eles ficariam exatamente um mês em Mato Grosso do Sul.
O programa atua para responder a situações de emergência em saúde pública em todo o Brasil, no caso de Dourados, a epidemia de chikungunya. Até dia 4 de abril, eles atenderam mais de 1,4 mil pessoas na Reserva Indígena, removeram 96 pessoas para hospitais e visitaram 250 domicílios, conforme o Ministério da Saúde.
Críticas à saída
Membro do Conselho Municipal de Saúde de Dourados acionou o MPF (Ministério Público Federal) contra a saída da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), em meio à epidemia de chikungunya, que já matou oito pessoas e infectou 4,8 mil no município.
Em carta endereçada ao procurador Marco Antônio Delfino, o membro do Conselho de Saúde de Dourados Carlos Alberto Vittorati manifesta sua “preocupação”, principalmente pelas aldeias Bororó e Jaguapiru, que concentram sete das oito mortes e são área de responsabilidade da União.
O conselheiro diz que aciona o MPF para “ver se há como reverter a situação […] visto que não há como aceitar que os acometidos pela chikungunya, em Dourados, sejam relegados à própria sorte”. Segundo ele, membro da Força Nacional do SUS teria informado que as contaminações ainda vão aumentar.
No entanto, o Jornal Midiamax apurou que especialistas da linha de frente e autoridades ligadas ao combate à epidemia já esperavam a retirada da equipe federal. A Força Nacional do SUS tem atuação pontual e ficou um mês no município.
“Eles não vêm para servir de mão de obra, eles vêm com médicos, infectologistas, para nos capacitar para o manejo da chikungunya”, diz o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Genivaldo Dias da Silva. “Não existe dizer que a Força Nacional do SUS nos abandonou”, conclui.
Epidemia em Dourados
A cidade de Dourados é considerada o epicentro da epidemia de chikungunya em Mato Grosso do Sul.
O vírus só acelera desde fevereiro, mas o número de casos prováveis se inverteu entre aldeias e áreas não indígenas. No período entre 22 e 28 de março, foram 149 casos entre pessoas não indígenas e 767 casos na Reserva. Nos sete dias seguintes, houve 704 registros fora das aldeias e 427 entre os indígenas.
Conforme boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (16), Dourados tem 4.830 casos prováveis de chikungunya, além de oito mortes confirmadas e uma em investigação.
A taxa de positividade segue alta, em 67,5%. Além disso, 46 pessoas estão internadas com sintomas de chikungunya em Dourados.
MS concentra 63% das mortes
Mato Grosso do Sul ainda lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país.
Com 201,2 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é 15 vezes maior que a média nacional, de 13,5. O Estado lidera o ranking de incidência desde o início do ano, seguido de Goiás (106,9), Minas Gerais (36), Rondônia (35,7), Mato Grosso (19,6), Tocantins (17,1) e Rio Grande do Norte (13,1).
Em todo o Brasil, são 19 mortes confirmadas e 12 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 63% dos óbitos estão concentrados no Estado.
Além disso, o Brasil tem 28.888 casos prováveis de chikungunya, sendo 5.882 deles no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 20,3% do total nacional de casos prováveis.
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(Revisão: Nichole Munaro)







