Membro do Conselho Municipal de Saúde de Dourados, cidade a 225 quilômetros de Campo Grande, acionou o MPF (Ministério Público Federal) contra a saída da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), em meio à epidemia de chikungunya que já matou oito pessoas e infectou 4,8 mil no município.
Em carta endereçada ao procurador Marco Antônio Delfino, o membro do Conselho de Saúde de Dourados Carlos Alberto Vittorati manifesta sua “preocupação”, principalmente pelas aldeias Bororó e Jaguapiru, que concentram sete das oito mortes e são área de responsabilidade da União.
O conselheiro diz que aciona o MPF para “ver se há como reverter a situação […] visto que não há como aceitar que os acometidos pela chikungunya, em Dourados, sejam relegados à própria sorte“. Segundo ele, membro da Força Nacional do SUS teria informado que as contaminações ainda vão aumentar.
Força Nacional do SUS
Segundo o conselheiro, o município não teria capacidade de atender, sozinho, à emergência de saúde púbica. Tanto o governo federal quanto a prefeitura declararam estado de emergência por conta da epidemia, o que possibilitou a atuação federal.
A Força Nacional do SUS chegou à cidade em 17 de março e deve se retirar no sábado (18), com seus 40 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos e psicólogos. Assim, eles ficariam exatamente um mês em Mato Grosso do Sul.
O programa atua para responder a situações de emergência em saúde pública em todo o Brasil, no caso, a epidemia de chikungunya. Até dia 4 de abril, eles atenderam mais de 1,4 mil pessoas na Reserva Indígena, removeram 96 pessoas para hospitais e visitaram 250 domicílios, conforme o Ministério da Saúde.
No texto enviado ao MPF, o conselheiro afirma, ainda, que “o médico infectologista que coordena a Força Nacional do SUS, em Dourados, foi enfático e categórico ao afirmar que o pico de contaminação ainda está por vir“. Por isso, Carlos Alberto Vittorati considera que a Força Nacional não poderia deixar a cidade.
O que diz o Ministério da Saúde?
O Jornal Midiamax solicitou posicionamento ao Ministério da Saúde, que é responsável pela Força Nacional do SUS. Apesar de não enviar resposta oficial por e-mail, a assessoria da pasta informou por telefone que existe um plano de desmobilização em planejamento, mas que os profissionais seguem trabalhando.
Conforme a assessoria do Ministério, a Força Nacional do SUS não está se retirando, nem há data exata para a saída. Apenas na sexta-feira (17) seria possível enviar uma previsão exata.
No entanto, lideranças indígenas, a prefeitura, o Conselho Municipal de Saúde e outros entes relacionados ao enfrentamento da epidemia já foram oficialmente informados sobre a retirada nesta semana.
Conforme apuração do Jornal Midiamax, a Força Nacional do SUS será desmobilizada no sábado (18), e os trabalhos de saúde nas aldeias serão assumidos pelo Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena).
Epidemia avança
O governo federal e o município decretaram emergência sanitária em Dourados, que segue em vigor. A cidade recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya.
A epidemia só acelera desde fevereiro, mas o número de casos prováveis se inverteu entre aldeias e áreas não indígenas. No período entre 22 e 28 de março, foram 149 casos entre pessoas não indígenas e 767 casos na Reserva. Nos sete dias seguintes, houve 704 registros fora das aldeias e 427 entre os indígenas.
Conforme boletim epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (16), Dourados tem 4.830 casos prováveis de chikungunya, além de oito mortes confirmadas e outras três em investigação.
A taxa de positividade segue alta, em 67,5%%. Além disso, 46 pessoas estão internadas com sintomas de chikungunya em Dourados.
Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul registrou 1.042 casos prováveis de chikungunya apenas na última semana, e Dourados confirmou a sétima morte causada pelo vírus na cidade, nesta terça-feira (14). Assim, o número de óbitos no Estado sobe para 11, e o total de casos prováveis chega a 5.256, segundo dados do Ministério da Saúde.
Com 179,7 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é 14 vezes maior que a média nacional, de 12,7. O Estado lidera o ranking de incidência desde o início do ano, seguido de Goiás (101,9), Rondônia (33,9), Minas Gerais (33,4), Mato Grosso (19,2), Tocantins (17,7) e Rio Grande do Norte (12,7).
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





