A epidemia de chikungunya começou na Reserva Indígena de Dourados e se espalhou para os bairros da cidade rapidamente. Considerando este cenário, a prefeitura do município editou o Decreto nº 638, de 20 de abril de 2026, declarando situação de calamidade em saúde pública devido à gravidade da epidemia e ao colapso da rede de atendimento.
Para haver essa atualização, algumas circunstâncias foram levadas em conta, como por exemplo: o número muito alto de notificações de chikungunya, que ultrapassa os 6.186 casos prováveis; a taxa de positividade da doença, que atualmente é de 64,9%; e hospitais superlotados, com 110% da capacidade de leitos ocupados.
Esse último fator é bastante preocupante, afinal, a superlotação dos hospitais dificulta o atendimento de casos graves de chikungunya e até de outras doenças, como as SRAGs (Síndromes Respiratórias Agudas Graves), que pressionam, simultaneamente, a rede de saúde.
A atualização do decreto tem validade de 90 dias e estabelece que a Secretaria Municipal de Saúde coordenará a resposta à calamidade, podendo adotar medidas excepcionais, incluindo requisição de bens, contratações emergenciais e entrada forçada em imóveis, se necessário.
Antes disso, em 20 de março, a prefeitura havia publicado o Decreto nº 587, declarando situação de emergência de saúde pública, e no dia 27 de março o Decreto nº 608, declarando emergência em Defesa Civil nas áreas afetadas.
O Decreto 638/2026 segue as orientações do COE (Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública), criado pela prefeitura para organizar o combate à doença, e também o Plano de Ação para Enfrentamento da Chikungunya, que contém medidas importantes para controlar a epidemia.
Marçal foi alertado por estagnação antes de surto de chikungunya
O ex-subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários — e liderança indígena — Fernando Souza revelou ao Jornal Midiamax o descaso da gestão do prefeito de Dourados, Marçal Filho (PSDB), com a incidência de chikungunya no município.
O ex-titular da pasta no governo de MS disse que, no início de março, após a segunda morte confirmada pela doença, o município de Dourados estava no que chamou de ‘estado de estagnação’, já que não tinha sequer projeto de ação coletiva para frear o avanço da chikungunya.
Conforme o ex-subsecretário, a administração de Marçal Filho só agiu após levar um ‘puxão de orelha’: “A secretária-adjunta da saúde [Christinne Maymone] veio chamar atenção para ação imediata”, detalhou.
Então, após a confirmação do segundo óbito, houve reunião, no dia 4 de março. “Reunião muito dura de que não daria [para continuar assim]”, diz Fernando, relembrando que somente no dia 9 de março iniciou-se, de fato, o arrastão de ações.
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