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Cotidiano

Com avanço do El Niño, saiba quais estratégias adotadas para proteger a saúde da população

A ideia é que toda a estrutura do SUS esteja preparada para atuar já na prevenção
Jennifer Ribeiro -
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Pacientes em sala de espera de unidade de saúde. (Foto: Arquivo, Jornal Midiamax)

Para a Região Centro-Oeste, entidades do clima e da saúde preveem ausência e/ou irregularidades da chuva, calor intenso, estiagem e risco de incêndios florestais. Em consequência disso, a população pode sofrer estresse térmico, problemas cardiorrespiratórios provocados pela fumaça, acidentes durante o manejo do fogo — especialmente os profissionais de combate — e enfrentar dificuldade de acesso à água potável.

Para mitigar estes efeitos e proteger a população, o SUS (Sistema Único de Saúde) tem passado por adaptações. A ideia é que toda a estrutura esteja preparada para atuar já na prevenção, e não apenas quando o país começar a registrar episódios climáticos severos. 

As atualizações sobre a preparação para os possíveis impactos do El Niño na saúde da população e os cenários previstos para as diferentes regiões do país foram apresentadas em reunião on-line nesta quarta-feira (16), quando o Ministério da Saúde reuniu jornalistas do país todo para apresentar as medidas adotadas pelo Governo Federal em 2026.

Durante o encontro, Nilton Pereira Junior, secretário-executivo-adjunto do Ministério da Saúde, afirmou que o ministério tem atuado junto aos estados e municípios para entender como a população de cada região sofre com os impactos do El Niño, quais são as especificidades de cada município e como a rede de saúde pode melhorar para atender às demandas que existem e às que virão com o avanço do fenômeno.

Para a Região Centro-Oeste, ele destacou que o SUS já instaurou o VigiAR (Painel de Poluição Atmosférica e Saúde Humana), uma ferramenta do Ministério da Saúde que monitora a qualidade do ar e seus impactos na população; e um informe de queimadas com orientações à população. Além disso, , assim como , deve receber uma Base da Força Nacional do SUS para acelerar a resposta do sistema de saúde em emergências e desastres ambientais. 

AdaptaSUS

Outra medida adotada pelo Ministério da Saúde para atender às demandas relacionadas às mudanças climáticas — e frisada na reunião — foi o desenvolvimento do AdaptaSUS. Essa é uma estratégia para fortalecer a vigilância em saúde e tornar o SUS mais resiliente diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, enchentes e queimadas. 

A iniciativa busca adaptar serviços e infraestruturas de saúde para garantir seu funcionamento contínuo, além de monitorar riscos climáticos e seus impactos no adoecimento da população. 

Por isso, segundo o Ministério da Saúde, mais de 212 novas UBS (Unidades Básicas de Saúde) foram ou serão inauguradas no Centro-Oeste, todas com estrutura física capaz de resistir aos eventos climáticos severos provocados pelo El Niño, como calor extremo e enchentes, por exemplo. Também, a ampliação dos serviços do Samu, que contará com o recebimento total de 367 ambulâncias ainda este ano. Por fim, 79 soluções de água potável em áreas indígenas.

“A crise climática é, acima de tudo, uma crise de saúde pública. Os dados apontam que muitas pessoas já morreram no Brasil devido aos eventos climáticos severos. A OMS indica que, de 4 mortes no mundo, 1 tem a ver com mudanças climáticas. Há umas duas semanas, tivemos a identificação do mosquito Aedes aegypti na Inglaterra; chikungunya na França; centenas de pessoas morrendo de calor na Europa. Coisas que não víamos antes estão acontecendo devido às mudanças climáticas”, afirmou o ministro de Estado da Saúde, Alexandre Padilha, que também participou do encontro.

“Não podemos permitir que aconteça agora como foi na pandemia […] Não podemos virar as costas para a população, principalmente para as mais vulneráveis. Por isso essa ação do AdaptaSUS”, frisou.

Também participou da reunião a diretora do departamento de Vigilância em Saúde, Agnes Soares. A especialista frisou que as ações contaram com a participação direta de muitos estados que, por sua vez, elaboraram e apresentaram ao Ministério da Saúde um plano de combate ao El Niño. Essa parceria permite ajustar os investimentos financeiros e técnicos que cada região precisará para antes, durante e pós-El Niño.

“A ideia é que o SUS deixe de trabalhar somente na resposta; queremos que ele também seja antecipatório. O SUS reconhece que essas mudanças climáticas vieram para ficar, então existe a necessidade de preparação e avaliações antes de uma crise.” 

Meu SUS Digital

O aplicativo Meu SUS Digital também recebeu atualizações. Agora, toda a população pode consultar informações sobre o AdaptaSUS. Conforme os dados ali fornecidos são produzidos, rapidamente são divulgados. Essa é uma ferramenta voltada também para os gestores, que assim conseguem acompanhar os painés de vigilância (protocolo de calor extremo, vigilância de desastre e qualidade de água) e se antecipar quanto às medidas de prevenção.

No app, ainda haverá informações de prevenção para que a população mais vulnerável se proteja dos efeitos adversos e fortalecidos pelo El Niño. As orientações são válidas para crianças, idosos, pessoas com comorbidades e trabalhadores expostos ao sol, por exemplo.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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