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Citada pelos EUA para nova taxa ao Brasil, ‘lista suja’ do trabalho escravo tem 26 casos em MS

Entre 2022 e 2025, mais de 200 trabalhadores foram resgatados de fazendas no Estado
Gabriel Maymone -
Fiscalização do MPT em fazenda denunciada por trabalho forçado em MS. (MPT-MS, divulgação)

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (2) mais uma sobretaxa de 12,5% sobre o Brasil, sob acusação de o país não fiscalizar trabalho escravo, principalmente ao importar produtos.

O relatório do escritório de comércio dos EUA obtido pela reportagem reconhece que o Brasil tem ferramentas para combater essa prática e cita a ‘lista suja’ do trabalho escravo.

O Ministério do Trabalho e Emprego atualizou recentemente o cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão e colocou 26 casos em Mato Grosso do Sul, todos registrados em fazendas.

Em todo o país, são 596 casos, e MS ocupa a sexta posição entre os estados com mais registros. O ranking é liderado por Minas Gerais (111), Bahia (49), São Paulo (41), Maranhão (32) e Rio Grande do Sul (28).

Os casos são referentes a fiscalizações entre os anos de 2022 e 2025, já que o nome de cada empregador permanece público no período de dois anos.

Nos casos de Mato Grosso do Sul, foram 209 trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão, em atividades como serviços domésticos, criação de bovinos para corte, cultivo de café, construção, além de cultivo e colheita de outros produtos.

Um dado que chama a atenção é o fato de a maioria dos casos estarem localizados em fazendas em regiões de fronteira ou no Pantanal. São cinco casos em , quatro em Porto Murtinho, três em Caracol, dois em Bonito, um em Aquidauana, Anastácio, , Camapuã, Coxim, Deodápolis, Dourados, Itaquiraí, Nova Alvorada do Sul, , Ponta Porã e Ribas do Rio Pardo.

Casos recentes

Trabalhadores paraguaios resgatados em uma das fiscalizações em fazendas de MS. (MPT-MS, Divulgação)

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Conforme informações do MPT-MS (Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul), o caso mais recente divulgado ocorreu há menos de dois meses, em 16 de abril. Três trabalhadores — incluindo um adolescente — foram resgatados na zona rural de Antônio João, na Fazenda Alegria.

Os trabalhadores viviam em condições precárias, alojados em barracos feitos de galhos de árvores e cobertos com lona plástica e sem banheiro. As vítimas precisavam usar mato para fazer necessidades e bebiam água em um açude que era habitado por jacarés.

Esses ‘funcionários’ trabalhavam em escala 7×0, de domingo a domingo, das 5h às 18h. Foram feitos acordos em que o fazendeiro se comprometeu a pagar R$ 596 mil, entre pagamentos de verbas de rescisão e indenizações, por dano moral às vítimas e à sociedade.

Esse caso ainda não consta na lista recente e deve ser incluído no ano que vem.

Outra fiscalização recente do MPT-MS ajuda a explicar o motivo de várias propriedades em regiões de fronteira estarem na lista.

No ano passado, três adolescentes paraguaios foram resgatados de trabalho análogo à escravidão em uma fazenda de Maracaju — também não inclusa na lista do MTE.

O MPT-MS classificou os menores como “vítimas de tráfico internacional de pessoas”. O acordo foi feito para pagar R$ 315 mil a esses trabalhadores, e o fazendeiro assinou compromisso de não violar as regras trabalhistas nem migratórias novamente. A penalidade, caso descumpra, são novas multas.

Situações precárias a esses trabalhadores em um dos casos registrados no Estado. (MPT-MS, divulgação)

EUA propõem nova tarifa ao Brasil por não fiscalizar trabalho forçado

O governo dos Estados Unidos propôs, nesta terça-feira (2), nova tarifa adicional de 12,5% a todos os produtos brasileiros após investigação concluir que o Brasil e outros 53 países falharam em proibir e fiscalizar importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A acusação dos EUA sobre o Brasil é de que, ao falhar em fiscalizar importação de produtos feitos com trabalho forçado, o país cria uma concorrência desleal global.

Jamieson Greer, representante do USTR, afirmou que a omissão de parceiros comerciais em barrar esses produtos gera uma “vantagem de custo artificial” e força os trabalhadores e empresas americanas a competir em um campo desigual.

Apesar da taxação, o relatório dos EUA reconhece que o Brasil possui ferramentas internas de combate ao problema e cita a famosa ‘lista suja’ do trabalho escravo, mas aponta que a falha é na fiscalização de produtos estrangeiros.

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