De modo geral, a menopausa ainda é uma pauta carregada de tabus, dúvidas e discussões que impactam a vida da mulher — tanto é que muitas se sentem invisibilizadas e descredibilizadas apenas por estarem vivendo esta nova fase, que pode durar décadas. Até mesmo coceira de ouvido é listada como sintoma da menopausa. Mas será verdade?
Porém, entender esse processo e seus impactos é fundamental para garantir mais qualidade de vida. A verdade é que, apesar de desafiadora, essa fase pode ser de autoconhecimento. Compreender os efeitos desse fenômeno natural no corpo feminino e como ele influencia a sociedade é o primeiro passo para encará-lo com maior consciência e equilíbrio.
Segundo a ginecologista e obstetra Déborah Coelho, especialista em saúde íntima feminina, antes de tudo, é importante diferenciar os termos usados para descrever esse período. Saber diferenciá-los ajuda também a entender os sintomas percebidos. A primeira etapa é o climatério, fase de transição que antecede o fim da menstruação.
“O climatério é o período que antecede o término da menstruação nas mulheres que têm útero. Com o advento da globalização, em que a mulher está no mercado de trabalho, vive o estresse e tem a vida corrida, esse período de climatério tem se antecipado cada vez mais. Tenho 32 anos de atuação. Antigamente, eu consideraria o período do climatério entre 45 e 55 anos e, na sequência, a mulher entrava na menopausa. Hoje em dia, a mulher a partir dos 40 anos já pode começar a entrar no climatério”, explica.
Climatério
Nessa fase, assim como na própria menopausa, as mulheres passam a perceber mudanças físicas, psíquicas e hormonais, como a queda do estrogênio, FSH (hormônio folículo-estimulante), testosterona e progesterona.
“Esse período tem alguns sintomas que são básicos e que dão uma conotação de climatério, como dificuldade de perder peso, acúmulo de gordura abdominal, dificuldade para dormir, diminuição de libido, secura vaginal, dor para ter relação sexual, frouxidão na área íntima, esquecimentos, ansiedade, estresse, irritabilidade, mudanças de humor, choro fácil e mais agressividade”, pontua.
“São mais de 100 sintomas e sinais catalogados que, hoje em dia, depois de estudos e pesquisas, você pode considerar que são avisos do climatério. Nesse período do climatério também tem um sintoma que é clássico na mulher que menstrua: começa a ocorrer uma transição na menstruação, um encurtamento ou um alongamento do ciclo menstrual. E aí, quando eu tenho a falência de todos os hormônios [estrogênio, FSH, testosterona e progesterona], a mulher está classicamente na menopausa”, acrescenta.
Menopausa
A menopausa é confirmada quando a mulher fica um ano sem menstruar, o que pode durar décadas. Neste período, ela continuará lidando com os sintomas já percebidos no período do climatério, tornando a fase desafiadora.
No entanto, nem todas as mulheres perceberão todos esses sinais de uma única vez e, em muitos casos, eles começarão de maneira sutil. Os sintomas mais comuns são episódios depressivos, perda de libido e menos disposição para tarefas simples do dia a dia.
“Sempre ouço das pacientes que elas estão cansadas, que mudaram, que sentem dor para ter relação sexual, que engordaram de uma hora pra outra. Elas sentem que perderam tudo o que tinham. E, às vezes, esses são os primeiros sintomas que elas tiveram lá na perimenopausa, mas não perceberam. Por isso, é importante se preparar para essa fase. O que fizemos com 20, 30 anos influencia muito”, explica.
No entanto, a coceira de ouvido apontada em trends da internet como sinal da menopausa não deve ser considera, isoladamente, um dos sintomas.
Acompanhamento precoce
Para a especialista, é imprescindível que as mulheres se preparem para encarar a menopausa. Conhecer o próprio corpo e estar atenta aos sinais são medidas fundamentais. Além disso, buscar um profissional da saúde para acompanhá-la nos anos que antecedem a menopausa pode tornar essa fase mais leve.
“A mulher se empoderou e não aceita mais ficar no climatério sem reclamar. Então ela reclama, questiona, e cabe ao profissional de saúde identificar as necessidades daquela paciente. O ideal não é esperar esse boom de coisas acontecerem pra procurar um profissional de saúde. Quanto mais rápido você percebe essas mudanças corporais, fisiológicas, emocionais, mais rápido você consegue garantir qualidade de vida.”
Para as mulheres que ainda estão longe da menopausa, a médica alerta para cuidados precoces. Evitar hábitos como tabagismo, alcoolismo e sedentarismo é fundamental.
“O sedentarismo, alcoolismo e tabagismo são prejudiciais. Na menopausa, a mulher pode ter diabetes, hipertensão… Então, você ser sedentária, não praticar uma atividade física, não coordenar sua dieta, pode ser prejudicial. Você não é aquela pessoa de 20 anos mais.”
Rede de apoio
As mudanças no corpo da mulher durante essa fase são intensas. Muitas vezes, ela mesma pode não se entender, sentir-se inferiorizada e incapaz de seguir sua rotina. Lidar com tantos sintomas novos pode ser desafiador.
Por isso, ter uma rede de apoio que acolha essa mulher é primordial.
“O que a família precisa entender? Que é uma fase! E quanto mais precocemente a gente interferir, mas sem julgamento, sem preconceito, e procurar ajuda, menos esse quadro familiar vai sofrer. A rede de apoio dessa mulher precisa tirar o estigma de que menopausa é só envelhecer, como se a mulher perdesse a validade. Além disso, acho que todos nós devemos envelhecer com saúde. É uma fase em que ela está se descobrindo novamente. É preciso ter escuta e acolhimento.”
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(Revisão: Nichole Munaro)








