O uso de xampu de cavalo por humanos virou assunto em Campo Grande após uma médica-veterinária que alterava fórmulas do produto animal ser presa por comercializá-lo para fins cosméticos. Apesar da descrença geral, o mal que o produto pode fazer em humanos é bem maior do que qualquer sonho de benefício, como ter o cabelo brilhoso como uma crina.
Com mais de 4 mil curtidas nas redes sociais, um dos principais canais de venda da influencer, o “xampu bomba” prometia nutrição, brilho e combate à queda. No entanto, o uso gera preocupação entre especialistas.
Isso porque a fórmula, desenvolvida para animais, pode causar irritações, alergias e até queda de cabelo, além de não ter eficácia comprovada cientificamente para o fim com que era comercializado.
A médica dermatologista Eymar Bandeira explica que o uso de xampus veterinários em humanos não é seguro, principalmente pela falta de estudos que comprovem os efeitos no organismo. “O uso de xampus veterinários em humanos, em primeiro lugar, não é indicado porque são produtos testados em animais, e não em pessoas. A gente não sabe ao certo como ocorre a absorção, quais são os efeitos colaterais e quais os riscos para a saúde humana.”
Resultado oposto ao brilho
Segundo a médica, as consequências podem ser justamente o oposto do resultado esperado. “O uso de produtos não testados em humanos pode causar dermatites no couro cabeludo, irritações e até fazer o cabelo cair ainda mais.”
Ela também chama atenção para a mistura de substâncias nesses produtos, especialmente a vitamina A. “Muitas vezes, esses xampus são associados a fórmulas ricas em vitamina A, com a ideia de estimular o crescimento capilar. Mas o excesso de vitamina A, ao contrário do que se imagina, pode provocar queda de cabelo.”
A dermatologista reforça que o risco é ainda maior em públicos mais sensíveis. “No caso das crianças, a pele é extremamente sensível, com alto risco de dermatites. E, como não são produtos testados em humanos, muito menos em peles sensíveis, o uso é ainda mais contraindicado.”
Para gestantes, o alerta é ainda mais sério. “Em gestantes, existe o risco de absorção de substâncias desconhecidas que podem prejudicar o feto. Alguns xampus veterinários, inclusive, contêm antiparasitários que são contraindicados durante a gestação.”
Por fim, a especialista orienta que existem alternativas seguras e eficazes para tratar queda capilar. “Hoje existem diversos tratamentos com comprovação científica para queda de cabelo e crescimento dos fios. O ideal é procurar um médico. O uso prolongado desses produtos pode aumentar a absorção de substâncias que não sabemos se são nocivas para humanos.”
Entre a curiosidade e o medo
A estudante Larissa Andrade, de 18 anos, conta que já ouviu falar sobre o xampu de cavalo, mas nunca chegou a usá-lo. Mesmo sem saber se o produto realmente funciona, ela admite que teria curiosidade em testar, desde que não houvesse relatos de reações negativas.
“Já ouvi falar, mas nunca usei. Eu até usaria, mas não sei se realmente funciona, teria que testar. Se tivesse reações, não usaria. Agora, se alguém tivesse usado e desse certo, eu testaria, sim”, confessa ela.
Já Giulia Guimarães diz que quase comprou o produto após ver diversas propagandas na internet prometendo crescimento dos fios. No entanto, desistiu por medo e falta de informações.
“Eu queria comprar esses dias, para crescer o cabelo, porque vi muita propaganda na internet indicando o uso. Mas acabei não comprando porque fiquei com medo, não entendi direito. Depois que vi sobre essa mulher que foi presa, não pretendo mais comprar. Agora eu fiquei com medo.”
A biomédica Aline Cimeira, de 29 anos, afirma que não usaria o produto em hipótese alguma. Para ela, mesmo com promessas de resultados rápidos, não vale a pena arriscar. “Eu não usaria, não. Nem produto que eu conheço às vezes eu uso, imagina um desse. Eu nunca tinha ouvido falar antes, só agora, por causa da mulher que foi presa. Mas não fiquei surpresa; hoje em dia, as pessoas fazem de tudo, então, achei normal. Fiquei mais impressionada foi com a coragem de vender”, revela a biomédica.
Crime
A vendedora de produtos veterinários alterava fórmulas de xampus de cavalo e os comercializava como xampu humano, em Campo Grande. Ela é proprietária de um pet shop no Núcleo Habitacional Universitárias e utilizava suas redes sociais para divulgação das vendas.
Além de vender produtos animais para uso humano, o que é proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a veterinária ainda acrescentava um suplemento vitamínico veterinário concentrado em Vitamina A, indicado para animais.
A prisão em flagrante e a apreensão dos itens foram conduzidas pela Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo), pelo Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor), Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e CMRV (Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul).
A mulher teve o registro do CRMV suspenso por dois a cinco anos — ou seja, não poderá, durante esse período, atuar como médica-veterinária. Está autorizada, contudo, a continuar a atividade em seu pet shop.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






